Classe média inadimplente

Os sucessivos aumentos nos preços das tarifas e serviços são culpados pelo sufoco da classe média e têm pesado mais no bolso deste segmento da população. A pesquisa sobre o perfil do inadimplente do Instituto de Economia Gastão Vidigal da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), mostra que quase um terço (32%) dos inadimplentes são consumidores das classes A e B.O economista da ACSP, Emílio Alfieri explica que a "cesta básica" da classe média, composta por medicamentos, plano de saúde, escola, tarifas de luz, água e telefone, combustível e condomínio subiu mais do que o preço dos produtos consumidos pelo segmento C e D da população. Apenas 1% dos inadimplentes são pessoas de baixa de renda, que ganham entre R$ 100 e R$ 200. Alfieri avalia que a renda disponível da classe média está caindo e a inadimplência, tanto de cheques sem fundo como no crediário, deverá crescer em termos absolutos até o final de agosto, após o impacto do tarifaço.Número do Dieese apontam a mesma tendênciaSegundo os dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), desde 1997, a renda da classe média teve uma queda de 20%. A coordenador do Índice do Custo de Vida (ICV), Cornélia Nogueira Porto diz que, no ano, a inflação para a classe média está pensando mais.Ela cita os número do ICV. O índice geral acumulado dos últimos12 meses aponta uma alta da inflação de 8,22%. Para o extrato 3 da pesquisa, que engloba a classe média, o ICV já está em 8,48%. "A diferença para a população de baixa renda chega a um ponto porcentual, o que é muito", explica a economista.Cenário tende a melhorar a partir do próximo mêsCornélia Porto acha que este efeito deve começar a ser menos cruel a partir de setembro. Ela lembra que os aumentos dos combustíveis e das escolas foram os que mais pesaram no bolso da classe média e devem ter seus efeitos diluídos. Esses dados segundo ela, explicariam porque as pessoas com maior renda estão aparecendo no topo das listas dos inadimplentes nos últimos meses.

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