Classe política é o maior problema da Argentina

A classe política argentina continua sendo o problema mais grave do país porque não se deu conta da gravidade da situação e insiste em manter os próprios privilégios e interesses. Este é o diagnóstico do analista de mercado Agustin Etchebarne, da consultoria Delphos Investiments, quem afirma "nunca ter sido realizado nenhum ajuste sério nos últimos anos na Argentina". Ele considera que mesmo com as declarações de Paul O´Neill amenizando o tom de Anne Krueger, "dificilmente chegará alguma ajuda financeira para o país".Etchebarne disse que a "Argentina tem bastante claro que por enquanto não haverá ajuda porque não há um plano responsável e sério". Ele lembra que Eduardo Duhalde está no governo há 55 dias e até agora não tem um plano definido, não tem orçamento, não tem acordo com as províncias. "O pacto com as províncias é um engodo porque o único de concreto que existe é o fato da União assumir a dívida provincial. Em troca, há o compromisso dos governadores de ter déficit zero, mas isso é impossível de ser cumprido pelas províncias", afirmou. O analista disse que o poder de Duhalde é cada vez menor e por isso tem de ceder tanto nas negociações. "Estamos numa situação muito complicada e com 50% de chances de que o presidente não termine seu mandato interino", prevê.Agustin Etchebarne confirmou que existem conversações com os bancos e fundos de pensão sobre um novo swap da dívida interna. Porém, ressaltou que não há nada de concreto porque o assunto está incluído num pacote de negociações que envolve o salvamento dos bancos e a situação do Banco Galícia.Leia o especial

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