REUTERS/Carlos Barria
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Classificação de 'manipulador cambial' dada pelos EUA pode causar caos nos mercados, diz China

Depois que a moeda chinesa caiu ao menor nível em relação ao dólar desde 2008, o governo americano informou que vai recorrer ao FMI para eliminar a 'competição injusta' com Pequim

Reuters

06 de agosto de 2019 | 08h27

O banco central da China afirmou nesta terça-feira, 6, que a decisão dos Estados Unidos de classificar o país como manipulador cambial vai “prejudicar seriamente a ordem financeira internacional e provocar caos nos mercados financeiros”. 

Depois que os EUA anunciaram, na sexta-feira, 2, que vão impor tarifas de 10% sobre US$ 300 bilhões em produtos chineses e que essa alíquota poderá ser elevada para além de 25%, o Banco do Povo da China (PBoC, na sigla em inglês) nada fez para impedir que o dólar ultrapassasse a barreira psicológica de 7 yuans pela primeira vez desde 2008. A medida foi amplamente vista como um sinal de que Pequim não recuaria de uma briga com o presidente Donald Trump.

No comunicado desta terça, que é a primeira resposta oficial da China às últimas ações do governo americano, a instituição chinesa afirmou que a decisão dos EUA de intensificar as tensões cambiais vai “impedir a recuperação econômica e do comércio globais”.

A China “não usa e não usará a taxa cambial como uma ferramenta para lidar com as disputas comerciais”, disse o banco central em comunicado em seu site. “A China avisou os Estados Unidos para segurarem as rédeas antes do precipício, e para estarem cientes de seus erros, voltando atrás em sua trajetória errada”, completou.

O Departamento do Tesouro dos EUA disse na segunda-feira que determinou pela primeira vez desde 1994 que a China está manipulando sua moeda, levando a disputa comercial para além das tarifas. A decisão dos EUA foi provocada puramente por motivos políticos para “descarregar sua raiva”, disse o Global Times, influente tablóide chinês publicado pelo People’s Daily, do Partido Comunista.

A China “não espera mais boa vontade dos Estados Unidos”, escreveu no Twitter nesta terça-feira Hu Xijin, editor do jornal. 

Iuan se estabiliza, mas ações caem em meio a temores sobre guerra comercial

As perdas do yuan, a moeda chinesa, se estabilizaram nesta terça depois que autoridades adotaram medidas para conter a queda, enquanto o mercado acionário chinês recuou após os Estados Unidos classificarem a China como manipulador cambial. 

A moeda chegou a cair até 2,7% nos últimos três dias, afetando as ações e elevando os títulos uma vez que investidores temem que o valor do yuan se torne mais um capítulo na guerra comercial.

Na segunda-feira, o secretário do Tesouro norte-americano, Steven Mnuchin disse que o governo dos Estados Unidos estabeleceu que a China está manipulando o câmbio e vai trabalhar com o Fundo Monetário Internacional (FMI) para eliminar competição injusta de Pequim.

Em resposta, a China anunciou que suas empresas pararam de comprar produtos agrícolas dos EUA. Mas o Banco do Povo da China agiu para estabilizar o yuan com uma fixação mais forte do que o esperado e venda de títulos, para sinalizar que as autoridades desejam contar as perdas, elevando o yuan quase 0,5% em relação o dólar.

No mercado externo, a moeda chinesa se estabilizou em torno de 7,0710 por dólar depois de atingir mais cedo nesta terça 7,1382, após o anúncio de Mnuchin. Os ganhos vieram depois que o banco central fixou o ponto médio do yuan, que determina o ponto em torno do qual a moeda pode ser negociada, em 6,9683 por dólar, acima das expectativas do mercado.

A estabilização do yuan ajudou os principais índices acionários a reduzir parte das perdas, mas ainda assim os mercados asiáticos terminaram o dia no vermelho. 

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