Classificação de risco do Brasil não acontecerá no curto prazo

A agência de análise de risco Standard & Poor´s reiterou que uma elevação no rating soberano do Brasil não está no horizonte imediato. Isso porque a maior economia da América do Sul enfrenta limitações fundamentais, incluindo a reativação do crescimento. A diretora de ratings soberanos da S&P, Lisa Schineller, disse que qualquer elevação da atual nota B+ do Brasil provavelmente ocorrerá na última parte do período de seis meses a dois anos. Pelo procedimento, os créditos recebem primeiramente uma ?perspectiva positiva? e depois uma mudança no rating. "O crescimento permanece vulnerável", disse Schineller, durante um painel de discussão sobre o Brasil.Rating soberano é uma classificação que exprime o risco de países, considerando, por exemplo, o risco de não pagamento de dívidas do governo, nível de endividamento, cumprimento de metas fiscais etc. Quanto maior o risco de uma moratória, por exemplo, quando o país não tem condições de honrar seus compromissos, menor o rating.O rating soberano influencia a confiança dos investidores estrangeiros na decisão de encaminhar ou não seus investimentos ao país. E também está intimamente ligado com o nível de juro cobrado pelo investidor para emprestar seu dinheiro. Quanto maior o risco, maior a taxa de juro exigida.Entraves para a mudança de classificaçãoA diretora da agência acrescentou que a melhora no crescimento econômico "ajudará a consolidar o potencial político" e "melhorará as vulnerabilidades externas". Segundo ela, a agência quer se sentir confortável que "o crescimento irá permanecer muito forte". Outros fatores que limitam o rating do Brasil incluem a dependência do governo aos mercados de capital internacional para emissão da dívida e do investimento direto estrangeiro, assim como a elevada proporção da dívida, observou Schineller.A volatilidade (oscilação) que atingiu o mercado financeiro brasileiro por causa do escândalo envolvendo o ex-assessor do Casa Civil Waldomiro Diniz gerou preocupações de que a agenda de reformas do governo poderá sair dos trilhos. Sobre o barulho político, Schineller disse que a questão fundamental sob o ponto de vista do rating é: "a situação que temos agora seria um impedimento para a implementação da política?". "As coisas estão no estágio preliminar neste momento", acrescentou, referindo-se às respostas do governo federal ao escândalo.Últimas alterações A S&P revisou a perspectiva do Brasil de "estável" para "positiva" em dezembro, citando um declínio na vulnerabilidade externa e melhoras estruturais na balança comercial do País. No início deste mês, a agência disse que uma elevação do rating soberano do Brasil provavelmente não ocorreria este ano considerando os obstáculos que o governo ainda tem de superar em termos de estímulo do crescimento econômico. As informações são da Dow Jones.

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