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Classificação de risco do Brasil vai melhorar, afirma Guido Mantega

Para o ministro, se depender do desempenho econômico, a agência Standard & Poor's deve revisar nota do País

Entrevista com

João Caminoto e Ricardo Grinbaum, O Estado de S.Paulo - Atualizado às 13h03

09 de junho de 2013 | 02h05

Um dia depois de a agência de classificação de risco Standard & Poor's ter anunciado que pode rebaixar a nota do Brasil, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, sustenta o discurso otimista de sempre. "Se depender do desempenho da economia brasileira, a S&P terá de mudar o viés da nota para alta", disse, na sexta-feira.

Mantega diz que em abril e maio a economia ganhou velocidade e a inflação começou a cair. Ele defendeu ainda a política fiscal do governo, em resposta às críticas do ex-ministro da Fazenda Delfim Netto, conselheiro da presidente Dilma Rousseff. Delfim disse que o mercado acha que há uma "esculhambação" nas contas públicas e recomendou austeridade ao governo "para recuperar credibilidade". Em sua crítica, Delfin vocalizou uma queixa que vem sendo feita privadamente entre empresários e economistas. "Temos uma política fiscal sólida", diz Mantega.

Ao fim de uma semana conturbada, em que a S&P ameaçou baixar a nota do País e a Economist fez piada sobre sua permanência no governo, ele atribuiu as críticas à visão "conservadora" da revista. "Então eles preferem aquela política. Vamos medir os resultados, vamos ver quem tem o resultado melhor. Nós ou eles (Inglaterra)?" A seguir, os principais trechos da entrevista.

A Standard & Poor's diz que vai revisar a classificação de risco do Brasil por causa do PIB fraco e das contas públicas. Como o sr. avalia essa revisão?  Eles não falaram que vão revisar, eles falaram que poderão revisar nos próximos 24 meses em razão do desempenho econômico e das contas públicas. Se depender do desempenho econômico, eles podem revisar para melhor, porque a economia está numa nítida recuperação, depois de ter tido um crescimento bom no primeiro trimestre, maior do que a grande maioria de países. Mas o mais importante é que o investimento cresceu a 4,6% e o crescimento no segundo trimestre parece que será maior do que no primeiro trimestre. Nossa prioridade era recuperar a produção industrial e aumentar o investimento. E isso está ocorrendo. A produção industrial de abril foi muito boa, cresceu 1,8%, liderada pela produção de bens de capital, voltados para investimentos.  O crescimento está sendo liderado pelo investimento e pela indústria, que estão crescendo mais do que o consumo. E a indústria está crescendo porque o governo tomou medidas de redução de custo nos últimos anos, de custo financeiro, tributário, de energia, além dos estímulos à indústria. O custo do financiamento do investimento hoje no Brasil está muito barato, é um dos menores do mundo. E, segundo a CNI (Confederação Nacional da Indústria), a lucratividade da indústria está crescendo. A margem de lucro da indústria cresce há dois trimestres. Há um retorno do 'animal spirit', que é movido pelo lucro. Praticamente todos os indicadores de abril são de expansão de atividade econômica. As vendas de supermercados tiveram a quarta alta consecutiva. O fluxo de veículos pesados nas rodovias, que é um grande indicador econômico, teve nova alta em abril. A produção de petróleo e gás, venda de cimentos, por aí vai. A indústria automobilista teve bom desempenho em abril e maio.

Qual a sua projeção para o crescimento da economia?

Não vou arriscar um número, porque se não der exatamente o número, eu serei linchado em praça pública. O que estou dizendo é que tivemos um bom primeiro trimestre, bem melhor que em 2012, e o segundo trimestre está se configurando como um crescimento maior. A inflação está caindo. O IPCA saiu abaixo das expectativas, e o resultado dos alimentos e bebidas, que estavam pressionando a inflação, caiu bastante, para 0,08%. Em abril, tinha dado 0,96%.

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