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Clealco desiste de vender usinas e busca ampliar produção

Apesar do interesse de grandes grupos, valor pedido, de cerca de US$ 1,3 bilhão, foi considerado elevado

EDUARDO MAGOSSI, O Estado de S.Paulo

27 de abril de 2012 | 03h07

A produtora de açúcar e álcool Clealco desistiu de vender suas duas usinas, de acordo com informação do diretor executivo do grupo, Fábio Cordeiro. As unidades localizadas no interior paulista, nas cidades de Clementina e Queiroz, têm capacidade conjunta de moagem de 8,5 milhões de toneladas de cana e estavam à venda desde o segundo semestre de 2011.

Grandes grupos, como a petroleira francesa Total, a ETH (braço sucroalcooleiro da Odebrecht), a indiana Renuka e a Guarani se interessaram pelos ativos, mas não chegaram a propor um acordo efetivo de compra. A decisão de cancelar a venda das usinas foi tomada pelos acionistas. Segundo fontes próximas ao grupo, um dos motivos seria a falta de compradores para o patamar de preço pedido, em torno de US$ 150 por tonelada de cana-de-açúcar, o que somava um valor de aproximadamente US$ 1,3 bilhão.

Sem querer reduzir o valor de seus ativos, os acionistas decidiram se concentrar no plantio de cana-de-açúcar e em investimentos no aumento da capacidade das usinas até um patamar de 10 milhões de toneladas, o que conferiria à Clealco um novo status de grande grupo, com mais eficiência operacional e sinergia de custos.

O atual cenário econômico também teria contribuído para a decisão de suspender o processo de venda, segundo fontes que participaram das negociações.

De acordo com Cordeiro, a Clealco tem acelerado seus investimentos no plantio de cana-de-açúcar para conseguir completar sua capacidade de moagem de 8,5 milhões de toneladas. Na safra 2011/12, a moagem ficou em 6,323 milhões de toneladas e deve chegar a 7 milhões de toneladas na safra 2012/13.

O executivo explica que, na safra 2011/12, a Clealco conseguiu um faturamento de R$ 850 milhões e um Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de R$ 300 milhões.

"Estamos reduzindo nosso endividamento, que está em R$ 425 milhões, dos quais apenas 12% são de curto prazo", diz. Cordeiro afirma que a alavancagem da empresa é de apenas 1,5 vez a sua dívida. "É possível pagá-la com a receita de menos de duas safras", diz.

Foco. Com a dívida controlada, o executivo afirma que o foco de curto prazo da empresa será o plantio de cana. "Vamos plantar 20 mil hectares até o fim de 2012". Desse total, 8,5 mil hectares já foram plantados no início do ano. Em 2013, está programado o plantio de mais 18 mil hectares.

A Clealco é uma empresa com atuação mais voltada ao ramo açucareiro. Cerca de 70% da cana processada por suas usinas é destinada à produção de açúcar e os 30% restantes para o etanol. Na safra 2011/12, a empresa produziu 515 mil toneladas de açúcar e 168 milhões de litros de etanol hidratado. A Clealco não produz etanol anidro.

Para a atual safra 2012/13, a expectativa é de produzir 560 mil toneladas de açúcar e 175 milhões de litros de etanol.

Na próxima segunda-feira, uma assembleia dos acionistas deve decidir a cisão dos ativos da empresa, separando a parte industrial das terras. Com a reestruturação, os ativos industriais das usinas ficarão na Clealco Açúcar e Álcool e as terras na Aram Agro-Pastoril, Imobiliária e Administradora Ltda.

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