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Cliente antigo não ganha juro menor

Segundo pesquisa da Proteste, bancos privados estão oferecendo taxas acima dos juros mínimos anunciados para os clientes atuais

Luiz Guilherme Gerbelli, de O Estado de S.Paulo,

26 de abril de 2012 | 22h45

SÃO PAULO - Os correntistas dos bancos privados não têm se beneficiado das reduções dos juros promovidas pelas instituições financeiras. Segundo pesquisa da Proteste - Associação Brasileira de Defesa do Consumidor, os bancos privados estão oferecendo taxas acima dos juros mínimos anunciados para os clientes atuais e condicionando juros vantajosos à mudança de banco.

"Fica clara a atual abordagem: os bancos privados querem trazer novos clientes, mas não querem beneficiar os que já têm um relacionamento, investimento com o banco", afirma a coordenadora institucional da Proteste, Maria Inês Dolci. O levantamento da Proteste foi realizado em instituições bancárias públicas e privadas do Rio e São Paulo, na segunda e terça-feira. "Com os bancos públicos, nós percebemos que eles não beneficiavam a maioria diante das exigências e dos critérios utilizados", diz a coordenadora da Proteste.

Durante o levantamento, a Proteste simulou um empréstimo pessoal de R$ 10 mil em 30 meses e um financiamento de veículo com 40% de entrada e o restante a ser pago em 24 meses. Os resultados mostraram que a taxa média dos bancos ficou acima das taxas mínimas anunciadas.

No crédito pessoal, a taxa mais barata encontrada foi de 1,99% ao mês no Banco do Brasil, mas ela só é liberada para novos clientes. No Bradesco, a taxa cobrada chega a 7,31% ao mês, acima da taxa mínima de 1,97%.

 

No financiamento de veículo a menor taxa de juros encontrada foi de 1,59% no Banco do Brasil, acima de 0,95%, valor mínimo cobrado pelo banco. Já no Bradesco, o financiamento variou de 2,04% a 2,22% - a taxa mínima anunciada foi de 0,97% (veja no quadro). No Itaú, a taxa na simulação chegou a 2,04% ao mês. "O banco posterga ao máximo a decisão de reduzir um juro se a pessoa já é correntista, porque já conhece o perfil", disse Miguel de Oliveira, vice-presidente da Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac).

Na avaliação dele, as instituições têm interesse em atrair novos clientes para aumentar a sua receita. "Com o cliente novo, o banco pensa diferente: ele não tem nenhuma receita com esse cliente e se ele mudar para o banco a instituição ganha. Isso não quer dizer que o cliente que já é do banco não vai conseguir reduzir a taxa."

O professor de economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Samy Dana lembra os clientes que em alguns contratos já assumidos a taxa de juro já foi definida, o que inviabiliza uma redução das taxas de juros. "As pessoas estão trocando as bolas. Se um financiamento já foi contratado, os bancos não são obrigados a mudar os juros", afirma.

Bancos. Procurado, o Bradesco informou que as taxas de financiamento de veículos podem sofrer alteração de acordo com o "perfil e relacionamento" com o banco. Segundo o banco, a taxa de 7,31% refere-se ao limite de crédito pessoal rotativo disponível na conta do cliente. "Isso significa que o cliente tem opções de financiamento mais em conta na rede de agências", informou.

O Banco do Brasil afirmou que as taxas de juros para empréstimo pessoal "são válidas para todos os clientes do Banco do Brasil".

O Itaú ressaltou que boa parte das taxas reduzidas entra em vigor em 2 de maio e "as taxas mais baixas do MaxiConta Portabilidade Salário também serão estendidas aos novos clientes que transferirem o domicílio de seu salário para o Itaú".

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