Cliente enfrenta burocracia para conseguir taxa menor

Apesar das exigências, movimento de consumidores nos bancos é grande

O Estado de S.Paulo

26 de abril de 2012 | 03h08

Burocracia, informações desencontradas sobre taxas de juros, exigências como ser cliente do banco por determinado período e alguns dias de prazo para avaliação do pedido de empréstimo são algumas das dificuldades que os consumidores encontram na hora de buscar as vantagens para o crédito anunciadas recentemente pelos bancos.

A comerciante Patrícia Souza, de 40 anos, preferiu pagar taxa de juro um pouco maior num banco privado a enfrentar a burocracia do Banco do Brasil para renegociar uma dívida de R$ 33 mil.

"O Banco do Brasil faz muita propaganda, mas não é funcional", reclama a comerciante. "É muito difícil ser atendida por um gerente e, quando se consegue, pedem um monte de documentos e comprovantes."

A opção foi por uma agência do Itaú na zona norte de São Paulo, onde ela esteve ontem. "Os juros podem até ser um pouco maiores, mas consegui resolver meu problema", afirma Patrícia, que tem conta nas duas instituições.

Dona de uma loja de lingeries há cinco anos, ela diz que nos últimos seis meses registrou elevada inadimplência entre os clientes e teve de recorrer ao cheque especial e ao cartão de crédito para manter seu negócio. "Virou uma bola de neve."

Segundo Patrícia, a renegociação resultou numa queda de 44% na dívida atual. Ao fim de 24 meses - prazo obtido no novo contrato - terá pago R$ 33,6 mil. "Nem fiz as contas dos juros", admite ela, que desembolsará R$ 1,4 mil ao mês.

Viagem dos sonhos. A agente de turismo Maria José Pereira Dias, de 52 anos, procurou a Caixa Econômica Federal ontem para um empréstimo de R$ 3 mil. Apresentou a documentação necessária, mas terá de esperar alguns dias para receber a proposta do banco. "Ficaram de me telefonar até o fim da semana para informar qual valor poderão emprestar, juros e prazos", diz.

Atraída pelos anúncios de juros menores, Maria José quer realizar um sonho mantido há pelo menos dez anos: conhecer Nova York. "Tenho algumas economias e, com o empréstimo, será possível fazer a viagem."

Já a supervisora do Metrô Rosangela Raimundo, de 53 anos, fechou ontem um empréstimo de R$ 3 mil na Caixa, agência Santana, onde afirma ter encontrado juros menores que em outros bancos - cerca de 1,4% ao mês. "Estive no banco ontem (terça-feira), mas como não tinha comprovante de residência, voltei hoje e acertei o empréstimo."

Rosangela tem várias contas atrasadas, como condomínio, faculdade das filhas, multa de trânsito e empréstimos anteriores. Perdeu o controle dos gastos após iniciar uma reforma na casa, que ficou bem mais cara do que imaginava. "Agora vou tentar colocar tudo em dia."

A analista de sistemas Larissa de Meo, de 25 anos, optou por transferir sua conta salário do Santander para a Caixa também por ter achado os juros menores em vários serviços, como o cheque especial. "Falei com minha gerente no Santander, mas ela disse que não tinha condições de oferecer as mesmas taxas." / CLEIDE SILVA

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