Cliente só precisa de estímulo para comprar

Os preços sobem, os estoques da indústria crescem e os importados ganham espaço no mercado nacional. Enquanto isso, o crédito fica mais caro, o consumidor mais endividado e a inadimplência de pessoas físicas e jurídicas aumenta. Apesar de tantos sinais negativos, não há o que temer: o consumidor ainda está disposto a ir às compras.

, O Estado de S.Paulo

27 de julho de 2011 | 00h00

"Em alguns setores, o estímulo dos preços já é superior ao desestímulo provocado pelo aperto monetário", afirma Paulo Neves, da LCA Consultores. Ele cita como exemplo os eletrônicos e eletrodomésticos.

Como esses produtos dependem fortemente de crédito para serem comprados, era de se esperar que as vendas caíssem no atual cenário de juros altos e financiamentos mais restritos. Mas não foi o que ocorreu. Em 2011, até maio, as vendas do setor de móveis e eletrodomésticos superaram em 18% as observadas, neste período, em 2010.

A restrição de crédito foi compensada pela queda dos preços. No primeiro semestre deste ano, as TVs ficaram cerca de 20% mais baratas que em 2010, e os microcomputadores cerca de 10%. Ou seja, bastou reduzir as margens de lucro e oferecer bons preços para que o cliente passasse por cima das dificuldades no financiamento e realizasse a compra, demonstrando que ainda tem poder e vontade de consumir.

O empresário sabe disso - daí a manutenção do seu otimismo em relação à economia. O Índice de Confiança de Pequenos e Médios Negócios (IC-PMN) referente às perspectivas para o terceiro trimestre de 2011, medido pelo Insper em parceria com o Santander, registrou 72,3 pontos em uma escala de 0 a 100.

É verdade que esse indicador já foi mais alto. Na apuração das expectativas para o último trimestre de 2010, por exemplo, o IC-PMN bateu 75,5 pontos. "Mas a marca atual, ainda acima dos 70 pontos, aponta uma forte confiança por parte dos empresários", avalia José Luiz Rossi, professor e pesquisador do Insper.

Mais cautela

As pequenas e médias empresas continuam confiantes nas vendas. Só estão mais cautelosas em relação aos investimentos e ao lucro. A principal retração foi registrada na intenção de realizar investimentos no próximo trimestre, que variou de 73 pontos, no segundo trimestre, para 70 pontos. "Como a economia teve um bom desempenho em 2010, muitas empresas fizeram no ano passado os investimentos necessários", analisa Rossi.

Os empresários também reduziram suas perspectivas de lucro, de 77 pontos para 74,5 pontos. "A questão é justamente essa: as vendas vão acontecer, mas para ofertar um preço bom aos consumidores, as empresas terão de reduzir suas margens, não tem jeito", aconselha Rossi. "É o preço a pagar."

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