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Clientes correm para as agências

Maior parte do movimento é de pessoas interessadas em trocar dívidas contraídas com outros bancos

O Estado de S.Paulo

21 de abril de 2012 | 03h04

O motorista José Paulo da Silva, de 57 anos, trabalha há 31 anos na Câmara Municipal de São Paulo e, nesse período, sempre foi cliente do Banespa, hoje Santander. Esta semana, no entanto, Silva decidiu trocar de banco. Ontem, abriu conta na agência da Caixa Econômica Federal na Ladeira Porto Geral, no centro velho da cidade, atraído pelos anúncios de redução dos juros da instituição.

Silva aproveitou a ocasião para tratar com seu novo gerente a renegociação de dois empréstimos consignados contraídos na Caixa nos últimos três anos, pelos quais paga um total de R$ 1.800 por mês. "Estou tentando renegociar a dívida para ter acesso aos juros mais baratos e baixar o valor das prestações."

Um dos consignados, cujo valor ele disse não se recordar, foi feito há cerca de três anos para pagar as escrituras e a construção de uma piscina numa casa que havia adquirido no litoral paulista. O outro, tomado há oito meses, serviu para pagar uma cobrança judicial no valor de R$ 20 mil, referente a aluguéis atrasados de um imóvel ocupado pelo irmão, do qual ele foi fiador.

"Não sei quanto devo à Caixa", afirmou Silva, que diz ganhar "razoavelmente bem" como motorista da administração da Câmara. Casado e pai de três filhos, todos já formados, ele cursa o primeiro ano na Faculdade de História, e pretende, depois de formado, atuar em projetos sociais.

O corte nos juros da Caixa está atraindo até mesmo clientes do Banco do Brasil (BB), primeira instituição a anunciar redução das taxas, dentro da estratégia do governo de usar os bancos oficiais para forçar a queda dos spreads.

É o caso da oficial de promotoria Lúcia Aparecida Rosa, de 57 anos. Nos últimos 25 anos, ela foi cliente da Nossa Caixa e do BB, que adquiriu o banco público paulista. Ontem, Lúcia transferiu a conta-salário para a agência da Caixa na Sé, centro de São Paulo. "A vantagem é que aqui os juros são menores", disse a oficial de promotoria. "Funcionário público é obrigado a entrar no cheque especial."

Araçatuba. O movimento de pessoas à procura de crédito dobrou na agência da Caixa em Araçatuba, interior do Estado. Clientes ficaram até depois do horário de fechamento da agência, às 16horas, à espera de informações sobre a redução das taxas de juros.

A gerência da agência aumentou o número de atendentes para dar conta do movimento. E a procura é tanta que, a partir de segunda-feira, todas as agência da Caixa vão abrir uma hora mais cedo para atender à demanda.

"A procura era de 50 a 70 pessoas por dia para empréstimos de pessoa física, mas, com o anúncio da redução das taxas de juros, esse movimento subiu para 140", disse o gerente-geral da agência de Araçatuba, Eraldo Nobre Cruz.

Segundo ele, o atendimento que era feito por duas funcionárias agora é feito por cinco. No total, cerca de 200 pessoas procuram a agência todos os dias. "Em média, o número de pessoas que acabam fechando o contrato aumentou 50% nos últimos dias."

Entre as pessoas que procuraram a agência estava o metalúrgico César Augusto Rodrigues. "As taxas aqui estão bem mais baixas que lá no banco onde tenho conta. Preciso de R$ 20 mil para pagar contas. A diferença entre os dois bancos é muito grande, vou acabar fazendo por aqui."

Para a comerciária Bianca Cristina de Souza, "as taxas ainda estão muito altas, é preciso reduzir mais". Ela pretendia obter R$ 15 mil para pagar contas de cartão de crédito. "Se aceitarem a dívida de outro banco, e a taxa for mesmo menor, vou aceitar. Essa dívida está atrapalhando minha vida." / MARCELO REHDER e CHICO SIQUEIRA, ESPECIAL PARA O ESTADO

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