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Clientes devem fiscalizar taxas, diz ministra

Em meio ao leilão dos juros iniciado com os bancos oficiais, a avaliação do governo é a de que caberá à população fiscalizar se as taxas realmente estão sendo reduzidas ou se trata apenas de um golpe de marketing das instituições financeiras. "Os consumidores vão fiscalizar isso", disse ontem a ministra do Planejamento, Miriam Belchior, ao Estado.

CÉLIA FROUFE / BRASÍLIA , O Estado de S.Paulo

20 de abril de 2012 | 03h03

No início do mês, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal anunciaram novas taxas de juros para o crédito. Na esteira, bancos privados como HSBC, Santander, Bradesco e Itaú também se comprometeram a ampliar a oferta de crédito e diminuir os spreads - diferença dos juros cobrados pelas instituições da taxa que pagam quando pegam empréstimos. Ontem, o Banco do Brasil anunciou uma nova queda de taxas de juros para os seus clientes.

A reação dos bancos privados foi recebida de "maneira muito positiva" pelo governo, de acordo com Miriam. "É consenso no País de que os spreads são muito altos", afirmou. Segundo a ministra, o País já conseguiu mudar uma série de "jabuticabas" que existem apenas no Brasil. "Este (spread elevado) ainda era um resquício do período inflacionário, que começa a mudar também", comentou.

A estratégia do governo de forçar uma redução dos juros acabou causando um imbróglio com a Federação Brasileira de Bancos (Febraban).

Após reunião com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, o presidente da entidade, Murilo Portugal, disse que a "bola estava com o governo". O ministro não gostou da postura da Febraban e acusou a Federação de apresentar apenas cobranças, e não propostas de redução do spread.

Fiscal do Sarney. Engajar a população em uma causa liderada pelo governo não é uma tática nova. Em 1986, consumidores entusiasmados com o congelamento de preços do Plano Cruzado, no governo de José Sarney, conferiam diariamente os preços dos produtos nos supermercados

A ideia era denunciar abusos cometidos por empresários e comerciantes. Em março daquele ano, muitos brasileiros, principalmente donas de casa, chegaram a usar até broches com a frase: "Eu sou fiscal do Sarney", no intuito de defender o controle de preços. Mesmo assim, a hiperinflação saiu vitoriosa.

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