finanças

E-Investidor: "Você não pode ser refém do seu salário, emprego ou empresa", diz Carol Paiffer

Clientes ganham mais poder de negociação

Novas taxas bancárias devem ser comparadas, mas é importante que o correntista verifique o prazo para pagamento da dívida antes de decidir

LUIZ GUILHERME GERBELLI, O Estado de S.Paulo

19 de abril de 2012 | 03h03

A redução dos juros bancários vai testar o poder de negociação dos correntistas. Com as novas taxas que começarão a ser aplicadas pelas maiores instituições financeiras privadas do País, os clientes ganharam ainda mais poder de barganha para buscar produtos com taxas mais atrativas.

A orientação é para que o correntista espere mais alguns dias para que as taxas anunciadas entrem em vigor. Só então ele deve começar a negociação. "As taxas foram anunciadas ontem e ainda não estarão em vigor. Na próxima semana, os clientes devem ir ao banco e começar a negociar", diz Miguel de Oliveira, vice-presidente da Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac).

Durante a pesquisa, é preciso avaliar se os juros cobrados por outras instituições não terão como contrapartida um período mais longo para o pagamento da dívida. "O brasileiro costuma olhar para a parcela, mas o alongamento da dívida pode deixá-la mais cara", diz Paulo Arthur Góes, diretor executivo do Procon-SP.

É preciso ressaltar também que nem todos os clientes serão beneficiados com a menor taxa anunciada. Cada instituição define uma "taxa de risco" para seus correntistas, levando em consideração nível de endividamento e relacionamento com o banco, entre outros fatores.

Barreiras. Se for necessária, a troca de bancos não deve ser tão fácil. Para realizar a portabilidade entre contas - ou seja, transferir a dívida para um banco diferente -, os clientes ainda enfrentam entraves burocráticos. "As instituições financeiras acabam não divulgando a portabilidade porque é um instrumento que aumenta a competição e reduz a cobrança dos juros", afirma Góes, do Procon-SP.

Ele ressalta que a portabilidade não pode ser cobrada e, em alguns casos, também não deve estar atrelada à obrigação de adquirir produtos oferecidos pela nova instituição. "A portabilidade não pode ser cobrada, ela tem de ser feita entre as instituições financeiras", afirma.

De acordo com os últimos números do Banco Central (BC), em março foram realizadas 32.819 operações de portabilidade, ante 21.042 operações em fevereiro, um crescimento de 55,9%. A quantidade de operações tem crescido, mas ainda poderia ser mais comum, segundo especialistas. "O consumidor tem papel fundamental nesse cenário de corte de juros. Ele tem de pressionar o banco, buscar melhores taxas", diz Marcelo Moura, professor de macroeconomia e finanças do Insper.

Cálculo. O portal estadão.com.br publica hoje uma calculadora que mostra ao leitor quanto ele economizará com a redução dos juros. A ferramenta calcula os valores totais da dívida com a atual tarifa e com a nova e aponta a diferença. É necessário ter em mãos os seguintes dados: o valor financiado, o número de parcelas e as taxas de juros mensais das duas simulações.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.