finanças

E-Investidor: "Você não pode ser refém do seu salário, emprego ou empresa", diz Carol Paiffer

Clientes gastam mais com serviços bancários

O custo do crédito continua estável, apesar da alta da Selic, e bancos compensam redução de margens financeiras com receita de serviços

Josette Goulart, O Estado de S.Paulo

18 de novembro de 2013 | 02h08

Os resultados consolidados das grandes instituições financeiras até o terceiro trimestre deste ano mostram que o crédito não está mais caro mesmo com a escalada da taxa Selic, mas o brasileiro está gastando mais com tarifas e serviços bancários.

Na média, a receita com crédito das quatro maiores instituições do país - Banco do Brasil, Bradesco, Itaú Unibanco e Santander - cresceu apenas 0,05% nos nove primeiros meses do ano, segundo dados consolidados pela Austin Rating, e só não teve um decréscimo em função do forte aumento da carteira de empréstimos do Banco do Brasil. Já a receita com serviços cresceu na média 12%, com o Itaú Unibanco registrando o maior crescimento no período.

Os bancos não conseguiram acompanhar a forte escalada dos juros futuros e por isso mesmo estão revisando para baixo as projeções que fizeram para o ano. Isso significa que os "spreads", a diferença entre o que o banco paga para ter o dinheiro e o quanto cobra para emprestá-lo a seus clientes, continuam caindo. Alguns analistas entendem que as instituições financeiras não vislumbraram que os juros subiriam tanto e estão perdendo com o descasamento entre os empréstimos que concederam e o aumento de seus custos de captação.

Essa foi a explicação dada pelo Banco do Brasil, na semana passada quando divulgou seus resultados do terceiro trimestre, para revisar suas expectativas pela segunda vez no ano. O banco começou o ano acreditando que as margens financeiras cresceriam entre 7% e 10%. Agora a expectativa é de que cresça entre 2% e 5%. Nos primeiros nove meses, cresceu 2,3%, mesmo com o forte crescimento de 23% da sua carteira de crédito.

No Bradesco, a explicação para a revisão das projeções foi a redução do ritmo de crescimento do crédito. O banco previa ter margens maiores entre 4% a 8% e agora estima um crescimento máximo de 3%. O diretor executivo da instituição, Luiz Carlos Angelotti, explicou durante a teleconferência dos resultados do balanço do terceiro trimestre que o crédito representa 75% destas margens e o crescimento mais modesto do que o previsto no início do ano levaram à revisão das margens.

Itaú e Santander não divulgaram projeções no início do ano. De acordo com o balanço dos dois bancos, as margens estão caindo. O Santander teve uma queda de 10% na sua margem líquida de juros e o Itaú registrou queda de 12%, ao que o banco atribuiu à mudança de mix de sua carteira.

O analista do Goldman Sachs, Carlos Macedo, justamente ressalta esse ponto e diz que todos os bancos estão mais conservadores e crescendo em linhas como consignado, imobiliário e grandes empresas, onde os spreads são menores: "Para crescer em resultado, os bancos estão aumentando a eficiência e focando em serviços."

Apesar do crescimento médio de 12%, as receitas com serviços ainda representam menos de um terço das receitas com crédito. Atingiram, em conjunto, R$ 56,76 bilhões em setembro, ante os R$ 167,8 bilhões de crédito. O Itaú foi o que mais cresceu, com 15,8%, seguido do Bradesco com 14,4%. O diretor do Itaú, Rogério Calderón, disse que este foi uma alta não em função de maior número de clientes, mas porque os clientes estão buscando mais serviços.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.