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Clientes usam sistema até para guardar objetos de valor

Nos nove anos em que trabalha como avaliador de penhor da Caixa, Gilmar dos Santos diz ter aprendido de cor o CPF de pelo menos uma dezena de clientes que sempre utilizam a linha de crédito. Dos objetos mais estranhos que teve de penhorar, ele ficou impressionado com um cinto de dois quilos de ouro maciço usado por um cigano no casamento.

O Estado de S.Paulo

27 de julho de 2014 | 02h04

Alguns clientes ficam surpresos com o valor que os avaliadores dão às joias, mas o banco não compra as peças dos clientes, apenas empresta um valor tendo o objeto como garantia. Há casos em que são levadas semijoias - peças de metal não nobre que recebem um banho de metal nobre. Conhecidos como "folheados", esses itens não são aceitos como garantias e o empréstimos não é liberado.

Santos conta a história de uma cliente que levou uma pulseira que acreditava ser a de ouro maciço, mas o ourives tinha usado muito cobre na liga para endurecer a peça. Como o cobre é descontado do peso do lote, não valia a pena nem pegar o empréstimo. "As pessoas saem decepcionadas quando trazem uma peça folheada achando que é ouro puro", diz.

A avaliação do penhor é feita com três de substâncias químicas para identificar a pureza do material: água forte (ouro, prata e prata paládio), água régia (platina) e cloreto de estanho (para chegar à conclusão). O avaliador raspa uma peça de ouro, por exemplo, na lima e pinga água forte para descobrir o tipo de liga usado. Os diamantes não passam por reagentes: a análise depende do olhar acurado do avaliador, que observa cor, pureza, formato e lapidação. Outros objetos, como relógios e canetas, precisam ser de "alta gama". A Caixa empresta R$ 60 pelo grama do ouro comercial. A prata precisa ter pureza 925 para ser aceita como garantia.

A pensionista Maria Madalena Alves, de 69 anos, diz que o penhor se tornou quase um vício para ela: basta as contas apertarem, ela pega as joias e leva a uma agência da Caixa em Brasília para conseguir um empréstimo a custo mais baixo. Ela usa o penhor há dez anos. O colar que penhorou na última semana já tinha sido usado como garantia cinco vezes.

Desde o fim de 2012, a Caixa passou a oferecer o penhor parcelado, que permite que o valor emprestado seja pago em até cinco anos. O pagamento feito de uma só vez, porém, no prazo máximo de seis meses, ainda é o mais utilizado. Em todas as situações, o cliente pode pegar o bem de volta a qualquer momento, basta que pague a dívida, com juros proporcionais.

Há quem utilize o penhor para guardar de maneira segura as joias. Para isso, mesmo depois de quitar o empréstimo, os clientes continuam pagando os juros, como "aluguel" do cofre. A Caixa possui três grandes centrais de guarda, onde são armazenados os itens. Nas cidades onde não existem esses locais, as joias ficam nos caixas-fortes das agências. Em caso de roubo, furto ou extravio do bem, o valor a ser ressarcido é de 1,5 vez o valor de avaliação, atualizado pela poupança. / M.R.A.

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