Clima de protestos tende a ficar tenso em Goiás

Um pacote com novos protestos contra a política agrícola do governo federal é preparado pelos produtores agrícolas em Goiás, que desde esta terça-feira se uniram aos setores de indústria, comércio e de prestação de serviços. O clima poderá ficar tenso. "Os bloqueios de estradas vão se multiplicar em todo o Estado e a situação tende a piorar cada vez mais porque o movimento deixou de ser uma exclusividade dos produtores rurais", alertou o presidente da Federação de Agricultura do Estado de Goiás (Faeg), Macel Caixeta.Os produtores formaram uma caravana, denominada "Marcha a Brasília", nesta terça, com pouco mais de 500 pessoas, - entre elas o governador do Estado, Alcides Rodrigues - com o objetivo de cobrar do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, as mudanças desejadas para restabelecer o setor. Entre as medidas, indicaram ao refinanciamento ou alongamento das dívidas, mais o estabelecimento de instrumentos de sustentação de preços e de comercialização agrícola."Há um levante do setor porque está sendo prejudicado pela ausência de medidas estruturantes que deveriam ser estabelecidas pelo governo federal; e o Estado está ao lado dos produtores", disse o governador Alcides Rodrigues (PPB) ao Estado. "A conseqüência está no crescimento das taxas de desemprego no campo, onde muitos produtores faliram ou estão em situação pré-falimentar", comentou.Intensificação Alheios às negociações em Brasília, produtores rurais intensificaram o ritmo dos protestos, ao longo do dia, em diversos pontos do Estado de Goiás.Bloquearam ou "afunilaram" as principais BRs, como a 060, a 452 e a 364 - responsáveis pelo escoamento da produção na região Sudoeste entre as cidades de Mineiros e Jataí - além das saídas para os Estados de Minas Gerais, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. E a prefeitura de Caiapônia decretou feriado municipal.As fileiras dos protestos foram engrossadas, também nesta terça, por um grupo de empresários e das principais federações de classe. Entre elas a Federação das Indústrias (Fieg), a Federação do Comércio (Fecomércio), a Associação de Comércio e Indústria (Acieg) e a Organização das Cooperativas do Brasil (OCB)."Estamos todos num mesmo barco, que está afundando, e não tem bóia pra ninguém", definiu o presidente do Fórum dos Empresários de Goiás, que é representado pela sigla Adial, empresário Cyro Miranda Gifford Júnior. "Em Goiás, a crise no campo levou a indústria, nos últimos 25 dias, a ver os seus índices de produtividade em queda porque o agronegócio amarga prejuízos", disse. No interior do Estado, produtores rurais garantiram que os protestos, com bloqueio das estradas, continuarão a ser feitos ao longo da semana. "O movimento não é mais exclusivo dos produtores rurais, tomou uma forma maior, e agora é da sociedade", afirmou Caixeta.

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