Clima econômico do País é o mais alto em 20 anos, diz FGV

Segundo a pesquisa, há consenso de que 2010 será um ano de crescimento expressivo para o País

Alessandra Saraiva, da Agência Estado,

19 de novembro de 2009 | 13h04

O clima econômico brasileiro atingiu em outubro o melhor resultado em 20 anos. A informação é da coordenadora de Projetos do Centro de Estudos do Setor Externo (Cesex) da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Lia Valls. Segundo ela, o Índice de Clima Econômico (ICE) do Brasil no mês passado, que consta da Sondagem Econômica da América Latina anunciada nesta quinta-feira, 19, registrou patamar de 7,4 pontos, o mais alto nível da série, iniciada em 1989, e bem acima do anterior, apurado em julho (5,5 pontos).

 

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O levantamento ouviu 142 especialistas em 16 países. A melhora no clima econômico brasileiro foi o que impulsionou o avanço do ICE da América Latina, de julho a outubro deste ano (de 4,0 pontos para 5,2 pontos). A especialista comentou que o bom resultado do clima brasileiro em outubro foi puxado por uma melhora nas expectativas dos analistas em relação à economia brasileira. De uma maneira geral, as expectativas dos analistas quanto aos rumos da economia latino-americana estão melhores, e em outubro deste ano alcançaram o melhor nível desde janeiro de 1997, de acordo com a especialista.

Ela comentou que não é possível citar apenas uma causa para explicar a avaliação melhor do futuro da economia do País. "São um conjunto de avaliações favoráveis, e avaliações consistentes com resultados recentes dos índices do Brasil", disse. Ela lembrou que os indicadores macroeconômicos do País mostraram desempenhos positivos no terceiro trimestre, como as sondagens da indústria e do consumidor pesquisadas pela FGV, e os resultados de produção industrial. Para Lia, há um consenso de que o ano de 2010 será um ano de crescimento expressivo para a economia brasileira.

Ela observou ainda que, no auge da crise global, cujo período mais turbulento foi iniciado em setembro do ano passado, havia uma grande discussão de efeito de contágio da crise em países emergentes. Uma melhora acentuada das expectativas dos analistas sobre o Brasil, como ocorreu, pode ter sido influenciada pela avaliação de que o Brasil não foi tão fortemente contaminado pela crise como outros países da América Latina.

Porém, ela comentou que, ao se analisar as avaliações sobre a situação atual da economia brasileira, elas ainda operam abaixo das avaliações sobre cenário atual mostradas no período anterior à fase mais aguda da crise, iniciada em setembro de 2008. "Mas ao se comparar as avaliações em outubro sobre a situação atual da economia brasileira com as análises de cenário atual dos outros países da América Latina também de outubro, o Brasil conta com as melhores análises", afirmou.

Para a pesquisadora, os analistas percebem que o desemprego no Brasil não contou com avanços significativos e que os investimentos continuam crescendo no País. "Em uma análise macroeconômica, é possível perceber que o Brasil está relativamente estável", concluiu.

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