Clima econômico no País é o terceiro pior na AL

Não apenas na frente interna, onde aumentam os riscos fiscais, mas também na frente externa a política econômica de Dilma Rousseff é mal vista, segundo a Sondagem Econômica da América Latina Ifo/FGV. O levantamento - feito com 1.108 especialistas de todo o mundo, dos quais 142 da América Latina - mostrou que o clima econômico no País é quase tão ruim quanto o de 1999, ano em que houve déficit de US$ 7,8 bilhões no balanço de pagamentos, as reservas cambiais eram de US$ 36,3 bilhões (hoje são de US$ 375 bilhões) e foi adotado o regime de câmbio flutuante.

O Estado de S.Paulo

15 de novembro de 2014 | 02h03

Em outubro, o Índice de Situação Atual (ISA) do País foi de 30 pontos, queda de 28% em relação a julho e de 55% em relação a abril, notando-se que abaixo de 100 pontos o indicador é negativo - como tem sido desde julho de 2012. Entre julho e outubro, o Índice de Expectativas (IEX) melhorou (de 68 para 84 pontos), mas continua no patamar negativo.

A combinação dos dois índices resulta no Índice de Clima Econômico (ICE) - com 57 pontos, o País ocupa o 3.º pior lugar na América Latina, abaixo de Venezuela (20 pontos) e Argentina (47 pontos). Pelo critério de situação atual, até a Argentina, com ínfimos 34 pontos, está melhor que o Brasil.

O clima econômico brasileiro piorou por falta de confiança na política do governo, baixa competitividade internacional e escassez de mão de obra qualificada, além da inflação e do déficit público. Em parte, como são problemas de longo prazo, melhor será enfrentar os de curto prazo - desconfiança, inflação e déficit público - para melhorar o ambiente e, assim, estimular investimentos internos e externos.

Ao divulgar a sondagem, a economista Lia Walls, da FGV, notou que nem o futuro da economia mundial nem o da economia latino-americana são promissores. No mundo, o ICE caiu 14% entre julho e outubro e está em 112 pontos. Piorou na União Europeia (-13%), na China (-13%) e nos Estados Unidos (-8,3%). E na América Latina deterioram-se as percepções quanto ao México, que tem um forte peso no indicador (devido ao comércio exterior), ao Chile e à Colômbia. A situação atual é pior do que se previa. Entre outubro de 2013 e o mês passado, a projeção de crescimento do PIB da América Latina nos próximos três a cinco anos caiu de 3,2% para 2,9%; a do mundo passou de 2,6% para 2,7%.

Sem um cenário externo favorável e com crescimento inferior a 1% em 2014, o Brasil terá de rever a política econômica para não cair mais.

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