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Clima econômico piora, diz FGV

Estudo mostra recuo de índice em emergentes. No caso do Brasil, juros e inflação derrubaram avaliação

Jacqueline Farid, O Estadao de S.Paulo

21 de agosto de 2008 | 00h00

A alta dos juros e da inflação derrubou as expectativas no Brasil e reduziu o Índice de Clima Econômico (ICE) do País. Apesar da piora, a avaliação do Brasil e de outros emergentes permanece melhor do que em alguns países europeus e nos Estados Unidos. A conclusão é da Sondagem da América Latina, realizada em parceria pelo Institute for Economic Research da Universidade de Munique, ou Instituto IFO, e a Fundação Getúlio Vargas (FGV). "O Brasil entra na fase de contração do ciclo econômico", diz o estudo. O levantamento mostra que o Índice de Expectativas apurado no País em julho (3,8) de 2008 é o menor desde julho de 2006. Em abril, data da sondagem anterior, era 5,1. O indicador da FGV/IFO tem média de 5. Abaixo dessa linha, há recessão. Acima dela, o resultado é considerado satisfatório. Quanto mais acima de 5, melhor. No caso do ICE, o resultado foi de 5,5 em julho - em abril era de 6,5 -, ancorado na boa avaliação da situação atual e não das perspectivas, em deterioração. A coordenadora de projetos do centro de estudos de setor externo da FGV, Lia Valls, atribui a piora na avaliação à alta na inflação e nos juros. Segundo ela, "o cenário mudou claramente entre abril (quando foi divulgada a última sondagem) e julho, houve um aumento da preocupação com a inflação e o governo respondeu com alta de juros, o que levou a mudanças nas projeções de crescimento, afetando as expectativas". Para Lia Valls, "a pesquisa mostrou uma deterioração muito grande das expectativas no caso brasileiro, e o que pesa muito aqui é a questão da inflação". Em abril, na sondagem anterior, começou a trajetória de alta da taxa de juros. O IPCA em 12 meses acumulava 5,04% e, em julho, atingiu 6,37%. Apesar da piora nas expectativas, a avaliação do cenário atual no Brasil permanece positiva. O Índice de Situação Atual no País ficou em 7,2, inferior ao apurado em abril (7,9), mas ainda em nível favorável. A Sondagem é realizada com base em informações prestadas trimestralmente por especialistas nas economias de seus países. A pesquisa é aplicada com a mesma metodologia em todos os países da região. Em julho, foram consultados 117 especialistas em 16 países. Em julho, em relação a abril, houve recuo no ICE de vários emergentes, como China (de 5,2 para 4,8) e Índia (6,1 para 4,5). Na América Latina, o recuo foi de 4,9 para 4,6. Porém, apesar das perspectivas desfavoráveis, a avaliação nos emergentes está bem melhor do que a apurada nos países desenvolvidos. "O clima na América Latina é relativamente melhor do que no mundo como um todo, em que pesa muito a economia americana", disse Lia Valls. Segundo ela, como os países emergentes têm hoje uma menor dependência de capitais externos, com maior volume de reservas internacionais, "isso minimiza o risco de uma crise". O ICE do mundo caiu de 4,6 em abril para 4,1 em julho, segundo a sondagem. Ou seja, o cenário mundial permanece como recessivo e chegou, em julho deste ano, ao menor nível desde outubro de 2001, logo após os atentados de 11 de setembro. "Agora a interrogação é quanto tempo vai durar essa situação. Todos os analistas se perguntam isso" Segundo Lia, o cenário na América Latina é melhor porque, ainda que as expectativas estejam em queda, a avaliação da situação atual permanece positiva, enquanto no mundo - sobretudo na Europa e Estados Unidos - há deterioração na situação atual e nas expectativas. NÚMEROS5,1 era o índice do Brasil na sondagem anterior, realizada em abril deste ano3,8 é o índice na sondagem de julho. Quanto mais acima de 5, melhor

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