'Clima eleitoral pesa muito sobre mercado', diz vice-presidente do Itaú BBA

Apesar das incertezas sobre as eleições, executivo do banco acredita que os principais candidatos à Presidência vão priorizar as reformas

Fernanda Guimarães e Mônica Scaramuzzo, O Estado de S.Paulo

16 Agosto 2018 | 21h02

As incertezas sobre a corrida eleitoral deste ano tem reflexos no mercado de capitais brasileiro, afirmou, na manhã de ontem, o vice-presidente do Itaú BBA, Alberto Fernandes. “Isso deve se manter até a definição do próximo governo e da política econômica, o que faz com que os investidores se retraiam. E Turquia também está contribuindo (provocando tensões no cenário internacional)”, disse. “Mas não estamos neste clima (de apreensão) pelo fato de um candidato de extrema esquerda ou extrema direita  ganhar as eleições”, disse.

Fernandes destacou ainda que a percepção é de quem assumir Brasília – tanto um governo mais à direita ou mais à esquerda – deverá tocar as reformas. O foco do banco é a redução do déficit fiscal.

O executivo lembra que, de fato, há reação de curto prazo no mercado, após resultado das urnas. “Mas é preciso ver o médio e longo prazos e o que será feito em relação ao déficit do governo central”, disse. 

Expectativa. Se o mercado brasileiro for palco de cinco a dez operações com ações em 2018, entre ofertas iniciais de ações (IPO, na sigla em inglês) e subsequentes (“follow on”), o resultado pode ser considerado “bom”, disse o responsável pelo banco de investimento do Itaú BBA, Rodderick Greenlees, em conversa com jornalistas. As ofertas neste semestre poderão ocorrer também em bolsas estrangeiras.

Nesse cálculo, já estão inclusas as quatro empresas brasileiras que abriram capital neste ano:  a PagSeguro, que escolheu os Estados Unidos para seu IPO, a Intermédica Notredame, Hapvida e Banco Inter.

Greenlees lembra que, em 2017, foram 27 ofertas, o que mostra a dificuldade observada neste ano. Das operações das companhias brasileiras no ano passado, o executivo lembra que 10% ocorreram fora do Brasil. Para este ano, a proporção deve ser maior, comenta. Uma das razões é o peso da oferta da PagSeguro em Nova York, que movimentou mais de R$ 7 bilhões já no início do ano.

O executivo do Itaú BBA comentou que as empresas que buscarem aproveitar o mercado ainda neste ano e fazer, por exemplo, um IPO em dezembro, terão de fazer o registro junto à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) entre o primeiro e segundo turnos das eleições. "Assim, a empresa compra a opção para realizar a oferta", disse.

Já o mercado de fusões e aquisições segue mais aquecido, se comparado ao mercado de capitais. No primeiro semestre, foram realizadas 64 transações, movimentando US$ 29,3 bilhões. Em 2017, foram 138 operações, totalizando US$ 45 bilhões.

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