Clima em Belo Monte é de tensão, mas não há atos de vandalismo

Paralisação é a 2ª em menos de 20 dias; pontos negados pelo consórcio foram o direito de visitar a família a cada 3 meses e aumento do valor da cesta básica de R$ 95 para R$ 300,00

Fátima Lessa,

23 de abril de 2012 | 19h32

CUIABÁ - Os trabalhos nos canteiros de obra da Usina Hidrelétrica Belo Monte na Volta Redonda do Xingu em Altamira do Pará pararam nesta segunda-feira, 23. É a segunda paralisação em menos de 20 dias. Atualmente 60% dos trabalhadores moram em Altamira e os outros 40% são alojados dentro dos canteiros. Estão funcionando apenas 30% dos serviços, os essenciais previstos em lei. O clima é de tensão, mas não há atos de vandalismo ou de agressões por parte dos grevistas.

Os cerca de sete mil trabalhadores decidiram cruzar os barcos argumentando que o Consórcio Construtor Belo Monte (CCBM) não atendeu duas questões da pauta de reivindicações que estava sendo negociada há alguns dias.

Os pontos que não foram atendidos são com relação ao aumento do valor da cesta básica, que é hoje de R$ 95, para R$ 300, e a diminuição do intervalo da baixada (direito de visitar a família) de seis para três meses. Todos estes pontos, já são cumpridos em outras obras do mesmo tipo; "porque só o CCBM não quer aceitar?", questiona Roginel Gobbo, vice-presidente do Sintrapav do Pará.

O CCBM disse que a "paralisação surgiu do não atendimento de reivindicações realizadas fora da data base da categoria, e em plena vigência do Acordo Coletivo de Trabalho de 2012" e por esta razão "amparado na legislação vigente está tomando todas as medidas judiciais visando o encerramento do movimento e o retorno dos funcionários ao trabalho".

Gobbo disse que desde a madrugada trabalhadores estavam alertas para evitar os trabalhos. Para garantir a paralisação, os trabalhadores fecharam a passagem dos ônibus no km 27 da Rodovia Transamazônica, principal via de acesso aos cinco canteiros: Unidade Porto e Acessos; Sítio Canais e Diques; Sítio Pimental; e Sítio Belo Monte.

Gobbo afirmou que o Sindicato solicitou ao CCBM a identificação dos ônibus que transporta os trabalhadores dos serviços considerados essenciais. O sindicalista reafirmou que a organização sindical está aberta à negociação e espera a manifestação do Consórcio no sentido de atender os dois itens que faltam.

Uma das estratégias adotadas pelos trabalhadores foi colocar um carros de som próximo aos principais sítios para explicar sobre a greve e lembrar que eles votaram pela paralisação. "Se eles argumentarem a ilegalidade nós iremos defender a legalidade", disse Gobbo.

Na primeira paralisação ocorrida entre o fim de março e início de abril houve atritos entre trabalhadores e policiais militares. Os trabalhadores decidiram retornar aos canteiros depois que o CCBM sinalizou que iria atender as reivindicações. Aconteceram duas rodadas de negociações.

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