Clima favorece colheita de café

Não há risco de geada nas lavouras pelo menos até o fim deste mês. Safra deve chegar a 47,5 milhões de sacas

Tomas Okuda, O Estado de S.Paulo

20 de julho de 2011 | 00h00

Os produtores de café estão concentrados nos trabalhos de colheita da safra 2011/2012. A Exportadora Comexim, de Santos (SP), estima que cerca de 40% do volume total já esteja colhido. Conforme o trader John Wolthers, da Comexim, a safra deste ano "é de muito boa qualidade e o padrão climático, até o momento, traz alívio por não ter havido uma geada de grandes proporções". A Somar Meteorologia informa que o clima deve continuar seco, sem risco de geadas nos cafezais, pelo menos até o fim deste mês.

A exportadora prevê a atual safra brasileira em 47,5 milhões de sacas de 60 quilos, dos quais 32,3 milhões de sacas de arábica e 15,2 milhões de sacas de robusta (conillon). Previsão oficial da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta a safra em 43,5 milhões de sacas (32,2 milhões de arábica e 11,3 milhões de robusta).

Estoques. A Comexim estima que o estoque de passagem de café no Brasil seja muito baixo, de 4,05 milhões de sacas em 1.º de julho passado. De acordo com a empresa, o volume considera o estoque do governo, que está projetado em 2,04 milhões de sacas, e da iniciativa privada.

Conforme Wolthers, o aumento do consumo interno, estimulado pelo crescimento da economia brasileira, e a alta demanda do exterior, "deixam uma situação (de oferta) muito apertada, especialmente para o primeiro semestre de 2012".

Apesar disso, a Comexim avalia que a previsão do estoque de passagem ficou até acima do esperado, "especialmente quando se leva em consideração que nos últimos 12 meses as exportações brasileiras de café foram recorde". Segundo dados do Conselho dos Exportadores de Café (Cecafé), o ano safra 2010/2011 (julho de 2010 a junho de 2011) foi o melhor de toda a história do produto no País, em termos de volume e receita de exportação.

O faturamento foi de US$ 7,4 bilhões, para um volume recorde de 34,9 milhões de sacas. "O Brasil ganhou muito no período", diz Wolthers.

O trader acrescenta que as cotações do café recuaram nos últimos meses no mercado internacional, mas ainda estão historicamente altas. "O produtor teve preços que nem sequer imaginava", garante ele.

O contrato futuro do grão na Bolsa de Nova York, base setembro, chegou a ter pico de 309 centavos de dólar por libra-peso no início de maio. Desde então, o contrato apresentou desvalorização de cerca de 18% e encerrou na sexta-feira cotado a 253,50 centavos de dólar. No mercado interno, produto do sul de Minas, de boa qualidade, está cotado a R$ 450 a saca. No pico de alta, o mesmo café chegou a valer R$ 540 a saca.

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