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Clima fica tenso em usina da Cosan, que nega aumento salarial

A situação voltou a ficar tensa em Andradina (SP), onde 1,2 mil cortadores de cana da usina Gasa, estão em greve há oito dias. Nesta segunda-feira, a Polícia Militar reforçou a segurança das instalações da usina e grevistas desistiram da tentativa de ocupar da unidade. À tarde, eles fizeram uma passeata e panfletagem que reuniu 700 trabalhadores nas ruas da cidade. Segundo Aparecido Bispo, da Federação dos Empregados Rurais Assalariados do Estado de São Paulo (Feraesp), a usina passou a usar PMs à paisana para forçar os trabalhadores a voltar ao trabalho, o que aumentou o clima de tensão. "Há um risco iminente de conflito por aqui", afirmou Bispo no final da tarde desta segunda-feira."Cerca de 300 trabalhadores vindos de Minas Gerais e Piauí queriam ocupar a usina hoje (segunda-feira) e só foram convencidos depois de muita conversa com os sindicalistas", contou. Segundo ele, mesmo assim, sindicalistas foram perseguidos por seguranças da usina. "Não posso garantir que a situação será calma amanhã", alertou Bispo.De acordo com a Feraesp, os trabalhadores da Gasa são os mais mal pagos da categoria no Estado. Eles querem reajuste do piso de R$ 401,00 para R$ 470,00 e no peso de R$ 2,44 para R$ 2,80 a tonelada. A Cosan é o grupo mais rico e influente do setor com 17 usinas e faturamento de R$ 2,5 bilhões na safra passada.Os trabalhadores paralisaram a colheita e o plantio. A unidade industrial também ficou praticamente paralisada com a falta de cana cortada para processar. Agora, ela depende apenas do corte mecanizado que responde apenas por 30% do total de matéria-prima prevista para processamento.A Cosan anunciou nesta segunda-feira que vai reavaliar investimentos para aumentar a capacidade de processamento e produção na unidade Gasa, informou o vice-presidente financeiro de Relações com Investidores do Grupo Cosan, Paulo Diniz.Segundo ele o grupo pretendia triplicar a produção, mas o problema com a mão-de-obra justifica a possibilidade de suspender os investimentos, que deveriam elevar de 1 milhão para 3 milhões de toneladas a capacidade de processamento da unidade por safra. Diniz lembrou que a empresa já fechou acordos com os trabalhadores em 14 de 17 unidades, em reajustes de 10% no piso salarial e de 7% no peso da cana cortada. Ele considerou a greve "absurda" e "totalmente inadequada". "Tínhamos planos de triplicar a moagem e agora nós vamos reavaliar essa decisão", disse Diniz em conferência à imprensa. Segundo ele, se a companhia decidir não investir mais na Gasa, vai realocar os recursos de expansão para outra unidade. A paralisação no corte de cana na usina não deve prejudicar, de acordo com Diniz, a produção de açúcar e de álcool do Grupo, já que a unidade é pequena, representa apenas 4% de toda a cana processada pela companhia e já moeu 800 mil de 1 milhão de toneladas de cana previstas para serem processadas na nesta safra. Diniz afirmou ainda que problemas com mão-de-obra no corte da cana-de-açúcar devem fazer com que o Grupo Cosan reveja ainda a necessidade de ampliar a mecanização na colheita da cultura, hoje em 30%, mas disse que isso ainda é uma idéia.

Agencia Estado,

18 de setembro de 2006 | 19h05

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