Clima ruim nas bolsas de NY abafa Copom e Bovespa cai

Divulgação de indicadores pior que o esperado e balanço ruim da Microsoft pressionam mercados dos EUA

Sueli Campo, da Agência Estado,

22 de janeiro de 2009 | 14h45

O pessimismo com o futuro da economia norte-americana abafou a recuperação da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) no começo do pregão, lastreada no corte de 1 ponto porcentual na taxa básica de juros, a Selic, anunciado na quarta-feira à noite pelo Copom. Às 14h41, o principal índice da Bolsa caía 3,29%, aos 37.273 pontos, puxada pela pressão negativa das bolsas em Nova York, que afundaram após a divulgação de indicadores econômicos piores do que o esperado e do balanço ruim da gigante Microsoft que veio junto com um anúncio de milhares de demissões.   Veja também: Desemprego, a terceira fase da crise financeira global De olho nos sintomas da crise econômica  Dicionário da crise  Lições de 29 Como o mundo reage à crise    As ações da Petrobrás tinham queda de mais de 3%, refletindo a deterioração dos preços do petróleo. O barril na Nymex desabava mais de 6%, a US$ 40,91 o barril, após os estoques semanais de óleo nos EUA terem subido seis vezes mais previam os analistas.   Também são destaque de baixa hoje os papéis do setor bancário. Itaú PN afundava 5,13%; Unibanco units cedia 4,78%; Banco do Brasil ON registrava baixa de 3,85% e Bradesco PN -2,80%. Não há especificamente nenhuma notícia que pudesse justificar essa queda expressiva dos papéis. Alguns analistas associam essa queda das ações ao temor de colapso de bancos de grande porte nos EUA. Mais cedo, as ações do Citigroup sofriam forte pressão vendedora, sendo negociadas em queda de 15,8% em Nova York.   Em Wall Street, o destaque de baixa não é o setor bancário, mas sim o de tecnologia, após a Microsoft ter antecipou para hoje cedo o resultado previsto para depois do fechamento. A empresa anunciou queda de 11% no lucro líquido do segundo trimestre fiscal, para US$ 4,17 bilhões, ante igual período de 2007. O segundo trimestre foi encerrado em 31 de dezembro. A empresa também anunciou corte de até cinco mil vagas nos próximos 18 meses, sendo 1,4 mil nesta quinta-feira. Nesta noite, o Google deve anunciar seu balanço.   O resultado da Microsoft disseminou o pessimismo, empurrando para baixo as bolsas. O Nasdaq operava em queda expressiva, de 2,95% às 13h54. O S&P 500 recuava 2,14% e o Dow Jones -2,12%.   Mas antes desse balanço ruim, o mercado já havia mergulhado no vermelho. Os dados sobre auxílio-desemprego e construção de residências impuseram um viés ainda mais negativa às perspectivas futuras em relação ao mercado de trabalho e de investimentos em imóveis. Os pedidos de auxílio-desemprego subiram em 62 mil na semana encerrada em 17 de janeiro, para 589 mil e as construções de residências iniciadas caíram 15,5% em dezembro, a sexta queda consecutiva, para 550 mil. Economistas esperavam declínio de 4% em dezembro.   Além de Petrobras, as ações da Vale também seguem sob forte pressão, mas registram queda um pouco menor. A PNA recuava 2,43% e a On -2,36% às 14h05. A mineradora brasileira anunciou esta manhã que a produção de minério de ferro da recuou para 63,274 milhões de toneladas no quarto trimestre de 2008, o que representa queda de 26,3% ante o trimestre anterior e uma retração de 21% em relação aos três últimos meses de 2007. No acumulado de 2008, a produção recuou 0,5% ante 2007.   No mundo, a produção de aço bruto caiu 1,2% em 2008, para 1,33 bilhão de toneladas, e 3,9% em dezembro ante novembro, para 84,41 milhões de toneladas, o menor nível de 2008. Em relação a 2007, a queda foi de 24,3%, segundo a Associação Mundial de Aço. No Brasil, a produção encolheu 0,2% em 2008, passando de 33,8 milhões de toneladas para 33,7 milhões de toneladas.   Ainda em relação à Vale, a empresa propôs hoje aos sindicatos de mineração de minério de ferro de Minas Gerais e Mato Grosso do Sul, licença remunerada aos trabalhadores, sem a suspensão do contrato de trabalho. A empresa garante a manutenção do nível de emprego até o dia 31 de maio para todos os empregados vinculados aos sindicatos que aceitarem a proposta. A maior baixa do Ibovespa às 14h10 era Rossi Residencial ON, com -5,86%, seguida por Friboi ON -5,60% e Cosan ON -5,41%.   Entre as poucas alta do Ibovespa estavam Aracruz PNB, que subia 1,46%, reavendo uma pequena parte das perdas dos últimos dias e Pão de Açúcar PN +0,73%.

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