Clima tenso dominará cúpula do Mercosul

A bandeira branca entre a Argentina e o Uruguai está cada vez mais longe de ser hasteada e os presidentes do Mercosul terão que agüentar os nervos entre os colegas Néstor Kirchner e Tabaré Vázquez na próxima reunião de Cúpula do Mercosul. Kirchner se prepara para mais uma tensa cúpula que será realizada exatamente na mesma semana em que a Argentina enfrentará novamente o Uruguai na Corte Internacional de Haia.Reservadamente, alguns diplomatas argentinos reconhecem que "está difícil de evitar que o assunto se instale no âmbito do Mercosul". Segundo uma fonte, desta vez, o governo local está mais preocupado do que em outras reuniões anteriores, como a de julho passado, em Córdoba. Na ocasião, Vázquez tentou, pela segunda vez, colocar o conflito da celulose na agenda do bloco regional, sem sucesso.Porém, os bloqueios das fronteiras entre os dois países, por parte dos manifestantes argentinos contrários à construção da fábrica de celulose no Uruguai, ameaçam durar todo o verão e a expandir-se pelo porto de Buenos Aires. A disputa que, primeiro chegou à Haia, agora parece que chegará ao Mercosul, já que o governador da província argentina de Entre Rios, Jorge Busti, quer aprovar uma lei que proíbe a venda de madeira para o Uruguai.Na chancelaria argentina, esse projeto ainda não é comentado abertamente, mas fontes admitem que a medida fere as normas da Organização Mundial do Comércio (OMC) e do próprio Mercosul.A reunião dos presidentes ocorrerá na quinta e sexta-feira da próxima semana. Antes, na segunda-feira, o governo de Kirchner apresentará em Haia, os argumentos de fundo do processo movido contra o governo de Vázquez pela violação do Tratado do Rio Uruguai.Para complicar ainda mais o panorama, o mesmo tribunal deverá pronunciar-se nos próximos dias sobre o amparo apresentado por Montevidéu sobre os bloqueios das pontes internacionais na fronteira entre ambos os países. Um dos diplomatas afirmou que a agenda da cúpula é "carente de um fato mais retumbante que o conflito", o que leva a supor que a guerra da celulose será o centro das atenções dos presidentes.O único fato de destaque será o pedido formal do presidente da Bolívia, Evo Morales, para a adesão plena de seu país ao bloco regional. O presidente Rafael Correa, do Equador, também pretende fazer o mesmo pedido, embora o processo de associação desse país esteja mais atrasado que o da Bolívia. Nenhum dos dois casos representa uma novidade para o bloco maior que o agravamento da crise entre o Uruguai e a Argentina. E se faltava uma gotinha de limão para azedar ainda mais o clima da Cúpula, a denúncia de dumping da Argentina contra o Brasil na OMC completou o serviço.

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