Cliques e concentração no varejo

Cliques e concentração no varejo

Como se escolhe um restaurante? Ao pensar nas opções, por certo sempre vem à mente um conjunto de características: qualidade da comida, ambiente, preço, etc. Um restaurante pode ser identificado, portanto, pela composição de um conjunto de atributos. Esses aspectos, considerados simultaneamente, classificam o restaurante, tornando-o mais ou menos qualificado aos olhos e ao gosto de um grupo de consumidores.

Análise: Claudio Felisoni de Angelo, O Estado de S.Paulo

30 de março de 2010 | 00h00

Restaurantes, supermercados, desodorantes, tudo, enfim, pode ser expresso em termos de seus atributos. Nessa perspectiva, o preço é uma variável resultante, ou seja, o conjunto de todos os atributos sinteticamente revela-se no valor expresso pela dinâmica de compra e venda. Se o comportamento do mercado é condicionado majoritariamente por uma ordem dessa natureza, o volume de lucros das empresas que operam em tais condições tem como elemento determinante a participação de mercado. Ou seja, se os preços são os mesmos, as margens parecidas, o aumento do lucro terá necessariamente de vir do crescimento da presença dessa empresa no mercado.

A manutenção da inflação em patamares baixos fortalece ainda mais tais condições. A capacidade de comparação do consumidor se amplia quando os preços dos bens, uns em relação aos outros (preços relativos), flutuam pouco. A velocidade das comunicações está na base deste processo. Tudo está a um clique do consumidor final.

Apenas para ilustrar, o varejo tradicional cresceu de 2008 para 2009 13% em termos reais. No mesmo período, as vendas pela internet subiram 25%. Em 2008, 13,2 milhões de pessoas compraram pela internet. Em 2009, o número de consumidores cresceu 33%, isto é, chegou a quase 18 milhões.

Se, de um lado, o crescimento do consumo e o potencial de expansão sinalizam possibilidades promissoras para as empresas de varejo, de outro, a queda vertiginosa dos custos de informação impõe novos arranjos organizacionais para uma atuação mais rentável. Carrefour compra Atacadão, Pão de Açúcar compra o Ponto Frio, Pão de Açúcar e Ponto Frio fundem-se com as Casas Bahia e, agora, Insinuante se junta com Ricardo Eletro, formando um negócio de mais de R$ 4 bilhões.

É difícil identificar quando e como tais ações terão lugar. Mas não é difícil compreender a lógica desses movimentos, definidos muito pela intensidade dos cliques.

PRESIDENTE DO CONSELHO DO PROVAR

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