CMN define meta oficial de inflação para 2004 em 5,5%

O ministro da Fazenda, Antonio Palocci, anunciou hoje que o Conselho Monetário Nacional (CMN) decidiu por unanimidade fixar em 5,5% a meta de inflação para 2004 e em 4,5% para 2005, com margem de tolerância de 2,5 pontos porcentuais para cima ou para baixo nos dois casos. O ministro explicou que a decisão de transformar a meta ajustada da inflação em 2004 em meta oficial foi tomada em função do fato de os agentes econômicos já estarem trabalhando com a meta de 5,5% para 2004. Ele comentou também que as expectativas de mercado já caminham para a trajetória dessa meta em meados de junho do próximo ano. Palocci também disse que a fixação das duas metas ajudará a reduzir a possibilidade de reindexação da economia, sem provocar um impacto muito forte sobre o Produto Interno Bruto (PIB). "Ficamos num ponto de equilíbrio em que a meta não passa a exigir um esforço muito grande do produto (PIB) e nem que alimente a reindexação da economia", afirmou. Ele também comentou que a definição da meta de 2004 veio ratificar a meta ajustada de 5,5%, estipulada pelo Comitê de Política Monetária (CMN) no início deste ano. Intervalo acomodará eventuais choquesPalocci, explicou ainda, na entrevista, que o intervalo de tolerância de 2,5 pontos percentuais nas metas de inflação para 2004 e 2005 tem por objetivo acomodar eventuais choques que ocorram na economia. Ele deixou claro que o índice não foi colocado com o objetivo de permitir eventuais alterações na meta central. Palocci disse que o objetivo do governo continua sendo de buscar no médio prazo uma taxa de inflação de 4% e comentou que, em um futuro próximo, já estarão se encontrando as expectativas de inflação com as metas estabelecidas. Diante desse encontro, segundo o ministro, o BC poderá adotar uma política monetária menos austera. Estimativa do PIB para 2004 é de 3,5%Palocci disse também que o governo trabalha com estimativa de crescimento do PIB brasileiro em 2004 de 3,5%. Segundo Palocci, esta é a estimativa que consta na Lei de Diretrizes Orçamentárias. Ele enfatizou que as metas de inflação divulgadas hoje são compatíveis com o crescimento previsto para o PIB no próximo ano. Para 2003, o ministro não informou a nova previsão do governo para o PIB. De acordo com ele, nas próximas semanas será divulgada a nova estimativa. "Os novos dados exigem novos estudos", justificou Palocci. A última estimativa do governo para o crescimento, segundo o ministro, é de 2% do PIB em 2003. Ao falar sobre o crescimento, ele fez questão de falar sobre o saldo da balança comercial deste ano, que está próximo dos US$ 10 bilhões. Palocci destacou que é um número importante e recorde. Mas reiterou que esse desempenho do comércio exterior não está sendo acompanhado pelo mercado interno. Inflação de 4% no longo prazoPalocci informou que o Conselho Monetário Nacional aprovou também na reunião de hoje, como referência, a busca de uma inflação de longo prazo de 4%. O ministro afirmou que essa meta de 4% é um objetivo a ser perseguido. De acordo com Palocci, essa meta não é adequada para 2005 e não é possível em 2004. "É uma meta a ser perseguida", afirmou. O ministro disse que não haverá mais meta ajustada de inflação e insistiu que o Banco Central vai perseguir a meta central de 5,5% em 2004. "Não vamos perseguir o intervalo", frisou.

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