CMN deve fixar meta de inflação de 4,5% para dois anos

O Conselho Monetário Nacional (CMN) deve confirmar quinta-feira a meta de 4,5% para a inflação em 2006, com tolerância de 2 pontos porcentuais para baixo e para cima, e fixar também em 4,5% a meta para 2007, com a mesma banda de flutuação. Com a decisão de trabalhar com a mesma taxa para os próximos dois anos, o governo vai sinalizar ao mercado, na prática, que o Banco Central (BC) terá 24 meses para fazer convergir a inflação para o centro da meta.Essa foi a proposta que os ministros da Fazenda, Antônio Palocci, e do Planejamento, Paulo Bernardo, levaram ontem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que dará a palavra final. As informações disponíveis até a noite de ontem davam conta que Lula aceitaria a proposta.A decisão de manter a meta do próximo ano em 4,5% representa uma derrota para o chamado grupo desenvolvimentista do governo, que tem o líder no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP), como um de seus principais representantes. Mercadante defendia uma meta de 5,5% para 2006 e, nas últimas semanas, chegou a aceitar a proposta de que ela fosse fixada em 5,1%, que é o mesmo objetivo do BC este ano.A derrota de Mercadante e do grupo desenvolvimentista, caso prevaleça a proposta dos ministros, é apenas parcial. Uma fonte do governo explicou que a mesma meta para a inflação tanto em 2006 como em 2007 permitirá ao BC executar uma política de juros mais amena, pois terá prazo maior para chegar aos 4,5%.De acordo com esse raciocínio, o BC poderá estabelecer como objetivo para 2006 uma taxa de 5%. Se alcançar porcentual entre 5% e 5,5% já terá conseguido reduzir a inflação em relação a este ano, que provavelmente ficará entre 6% e 6,5% - redução de 1 ponto porcentual. Vale dizer que o limite máximo para a inflação no próximo ano, por causa da margem de tolerância, é de 6,5%.Em 2007, raciocinam as mesmas fontes, o BC poderia reduzir a taxa para algo entre 4% e 4,5% - recuo também de 1 ponto porcentual. Com isso, o governo daria uma demonstração ao mercado e aos investidores internacionais de que a tendência da inflação do País é de contínuo declínio. Para 2008, a meta poderá ser fixada em 4% ou menos, com certa tranqüilidade, dizem os técnicos.A área econômica avalia que, se a meta de 4,5% para 2006 fosse elevada, passaria a impressão ao mercado de acomodação com a inflação e de influência do ano eleitoral na flexibilização. Seria um sinal de que haveria uma corrida aos gastos, leitura que o governo quer evitar.

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