CMN flexibiliza aplicação de recursos da poupança

Bancos que captam poupança exclusivamente para crédito imobiliário poderão aplicar até 10% em crédito rural

Renata Veríssimo, da Agência Estado,

27 de março de 2008 | 12h44

O Conselho Monetário Nacional (CMN) decidiu nesta quinta-feira, 27, flexibilizar a exigibilidade de aplicações dos recursos das instituições que operam com caderneta de poupança imobiliária ou rural. Conforme resolução aprovada nesta quinta, os bancos que captam poupança exclusivamente para crédito imobiliário poderão aplicar até 10% em crédito rural.  Por sua vez, as instituições que hoje só captam poupança rural também poderão optar por utilizar em crédito imobiliário até 10% da exigibilidade de aplicação em crédito rural. Segundo o diretor de liquidações e Desestatização do BC, Gustavo do Valle, a resolução do CMN atende a uma reivindicação dos bancos públicos e privados. "Dentro do processo de flexibilização, a medida vem a permitir que todos pratiquem qualquer tipo de crédito. Há o interesse de bancos públicos e privados de operar nestes créditos", disse o diretor. Ele informou que a oferta potencial de aumento de crédito imobiliário com a medida é de R$ 3,2 bilhões, enquanto para o setor rural a oferta rural pode aumentar em até R$ 12 bilhões, incluindo a Caixa Econômica Federal. Sem a caixa, a oferta potencial cai para R$ 7 bilhões. Valle explicou que em nenhum dos dois segmentos os bancos estão cumprindo 100% da exigibilidade, que é de 65% da captação da poupança. Com isso, avalia o diretor, pode haver um aumento na oferta de crédito imobiliário e rural se as instituições financeiras resolverem cumprir a exigibilidade em outro segmento. Remuneração O CMN também aprovou a unificação da remuneração paga pelo Banco Central para os recursos depositados pelos bancos que não cumprem a exigibilidade. Com isso, nos dois segmentos, O BC irá remunerar os recursos em 100% da Taxa Referencial (TR). Até hoje, o crédito imobiliário era remunerado com 80% da TR. "Estamos unificando para evitar possíveis arbitragens futuras", explicou. O diretor informou também que a instituição financeira que ultrapassar os 10% do valor da exigibilidade terá que interromper os financiamentos naquela área. Gustavo do Valle informou ainda que as instituições, antes de começarem a operar no outro segmento, terão de pedir autorização ao Banco Central para abrir a sua carteira de crédito imobiliário ou rural. Atualmente, apenas cinco instituições captam poupança para o crédito rural: Banco do Brasil, Banco do Nordeste, Banco da Amazônia, e as cooperativas Bansicrede e Bancoob.

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