CMN mantém meta de inflação em 4,5% para 2014 e 2015

Meta de 4,5%, com dois pontos de tolerância para cima ou para baixo, vem sendo adotada no País desde 2006

RENATA VERÍSSIMO, EDUARDO RODRIGUES, EDUARDO CUCOLO / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

29 de junho de 2013 | 02h18

Com dificuldade de trazer a inflação para níveis mais baixos, o governo decidiu ontem que continuará com a meta de inflação de 4,5% - com um margem de tolerância de dois pontos porcentuais para baixo ou para cima - nos próximos dois anos. O Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou os parâmetros para 2015 e ratificou a meta de 2014, que já tinha sido aprovada no ano passado.

O secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Márcio Holland, fez uma defesa do regime de metas e afirmou que a inflação deve convergir para o centro da meta no médio prazo. Ele afirmou que o governo trabalha com um cenário de IPCA em 2013 abaixo dos 5,84% de 2012. Segundo Holland, assim como a meta vem sendo respeitada "criteriosamente" desde 2004, a inflação deste ano também deve ficar dentro do intervalo de tolerância do regime.

"O IPCA está sob controle e em 2013 deve ficar menor do que em 2012. Mês a mês, o IPCA vem caindo, a inflação é cadente no País, mês a mês, ano a ano, nos últimos anos." A previsão, no entanto, é bem diferente das projeções do BC, que projeta inflação de 6% no fim deste ano e um IPCA acima do centro da meta até o segundo trimestre de 2015, quando deverá estar em 5,5%.

Depois de prometer que a inflação se aproximaria de 4,5% no fim do ano passado, o BC abandonou esse discurso e não informa quando o IPCA vai convergir para o centro da meta.

Alimentos. De acordo com Holland, o índice de difusão do IPCA também vem caindo, bem como os preços de alimentos e de bens duráveis e não duráveis. "A inflação de produtos alimentícios vem caindo de forma consistente. Ela representava 40% do IPCA, chegou a 50%, mas no último mês foi 25%, o que indica uma queda de peso", afirmou. "Diversos produtos agrícolas, como o tomate, o arroz e outros também têm queda de preços." Holland ponderou, no entanto, que o cenário internacional ainda gera incertezas e inspira atenção.

O secretário lembrou que o Brasil vem cumprindo "rigorosamente" as metas há dez anos, "o que pode se dizer que é uma grande conquista dado o histórico de inflação nos anos 80 e 90". O centro da meta de inflação está em 4,5% desde 2005, mas naquele ano a variação podia ser de 2,5 pontos porcentuais. A partir de 2006, a banda de tolerância passou a ser de dois pontos porcentuais. Apenas em 2006 e em 2009, a inflação ficou abaixo do centro da meta, encerrando o ano em 3,1% e 4,3%, respectivamente.

Em 2007, o índice ficou exatamente em 4,5%. Nos demais anos, ficou acima do centro da meta. Em 2011, o IPCA encerrou no patamar mais alto dos últimos oito anos, atingindo o teto de 6,5%. Este ano, a inflação também deve ficar perto do limite. No acumulado dos últimos 12 meses, até maio, o IPCA acumula uma alta de 6,5%.

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