CNA diz que consumo de leite não oferece risco

O presidente da Comissão Nacional de Pecuária da Leite da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Rodrigo Alvim, reafirmou que não há risco para saúde humana o consumo de leite pasteurizado. O temor é que, por conta dos focos de febre aftosa, o consumo de leite e carnes caia. "A aftosa não traz nenhum risco à população. O leite sem pasteurização traz outros riscos muito mais graves que a aftosa, como, por exemplo, a brucelose", disse ele.Alvim explicou que os R$ 500 mil destinados pelo governo do Mato Grosso do Sul para um fundo de emergência serão gastos com a compra de leite e derivados dos cinco municípios que fazem parte da chamada zona tampão. Eldorado, Iguatemi, Mundo Novo, Itaquiraí e Japorã estão num raio de 25 quilômetros do primeiro foco da doença, registrado em Eldorado. Alvim calculou que 250 mil litros de leite in natura saíam do Mato Grosso do Sul para outros Estados. Outros 250 a 300 mil litros saem em forma de leite pasteurizado. Boa parte desse volume é remetida para São Paulo."A abertura do mercado para os produtos industrializados do Mato Grosso do Sul, com a exceção dos municípios da zona tampão, não traz reflexos para a economia", afirmou Alvim. Ele admitiu que os preços do leite estão em queda, inclusive em Mato Grosso do Sul, mas parte da pressão veio do aumento da produção e do câmbio desfavorável às exportações. "A aftosa ajudou a derrubar os preços que já vinham caindo por outros motivos", disse.Ele informou que em maio o preço médio recebido pelo pecuarista de leite era de R$ 0,58 por litro. Uma pesquisa recente indicou que esse valor caiu para R$ 0,48/litro. No MS, a CNA tem notícias de oferta a R$ 0,28/l.O Mato Grosso do Sul não é grande vendedor de leite para os demais Estados e por isso a questão de foco no extremo sul do Estado é, para Alvim, um assunto localizado. Ele lembrou que nos últimos anos a produção do leite cresceu de 3,5 a 4%. No ano passado, o crescimento foi de 5,6%. Em Minas Gerais, que responde por 30% da produção nacional de leite a oferta cresceu 10% no ano passado. No primeiro trimestre deste ano, a produção cresceu 13% em relação ao mesmo período do ano passado.Alvim disse que não foi detectado ainda uma queda no consumo de leite por causa da aftosa. "O consumo é muito baixo e não teria mais para onde cair", disse. O consumo de leite per capta é de 130,5 litros por habitante/ano.Em relação ao embargo imposto pela Argentina ao leite brasileiro, ele considerou a medida "descabida". As vendas de leite do Brasil para a Argentina somavam 2 mil toneladas de produto em pó por mês até o embargo, na semana passada. A Rússia também suspendeu as compras de produtos lácteos do Mato Grosso do Sul, mas o Estado não é exportador.DESCOBERTA A febre aftosa foi descoberta na Itália no século XVI.Está presente de forma endêmica em regiões daÁsia, América do Sul, África e OrienteMédio. Houve surtos na Grécia,Taiwan,Argentina, Brasil,Uruguai, Japão e Reino Unido. SINTOMAS A febre aftosa é talvez a doença mais temida pelospecuaristas. Nos animais, ela provoca afta na boca e na gengiva,além de feridas nas patas e nas mamas. A vaca fica em estadofebril, não consegue pastar, perde peso e produz menos leite.Já nos humanos, são raros os casos decontaminação, mas eles não podem ser descartados.Os sintomas são febre leve e calafrios, bem como bolha nasmãos e na boca. Contudo, a doença não chega aprovocar risco de morte entre os humanos. CONTAMINAÇÃO Os animais que podem ser contaminados pelo aftovírus sãobois, porcos, cabras e ovelhas. No caso dos humanos, acontaminação é bem mais difícil e sóacontece se a pessoa ficar em constante contato direto com animaiscontaminados. TRANSMISSÃO o aftovírus pode ser transmitido pelo leite, carne e saliva doanimal doente. A doença também étransmissível para animais pela água, pelo ar e porobjetos e locais sujos. Humanos não transmitem o vírusentre si, mas podem levar na roupa, caso tenham entrado em umaárea onde há aftosa. PREVENÇÃO Não existe tratamento contra a Febre Aftosa e sim medidaspreventivas específicas pelo uso de vacinas. No Brasil, oprocesso mais aconselhável é a vacinaçãoperiódica dos rebanhos, assim como a imunização detodos os bovinos antes de qualquer viagem. Em geral a vacina contra a febre aftosa é aplicada, de 6 em 6meses, a partir do 3º mês de idade. No Estado de SãoPaulo deve ser feita nos meses de março e setembro. Naaplicação devem ser obedecidas asrecomendações do fabricante em relaçãoà dosagem, tempo de validade, método deconservação e outros pormenores.

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