CNA diz que estuda processar Greenpeace

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) estuda entrar com uma ação judicial contra o Greenpeace em função de colocações da ONG a respeito do modo de produção de carne brasileira. A afirmação foi feita, sem mais detalhes, pelo presidente da Comissão de Pecuária de Corte da Federação de Agricultura e Pecuária de Goiás, José Manoel Caixeta, durante audiência pública extraordinária na Comissão de Agricultura do Senado para discutir a situação dos frigoríficos.

CÉLIA FROUFE, Agencia Estado

23 de junho de 2009 | 12h13

De acordo com Caixeta, se for inviabilizada a produção em áreas consideradas como desmatadas, os custos de produção tendem a aumentar e o preço da carne deve subir, prejudicando os consumidores. "A produção será inviável. Ou chegará muito cara ao consumidor", disse. O representante da CNA na audiência pública garantiu que os pecuaristas não querem agir na ilegalidade, mas afirmou que ações como a do Ministério Público em Estados produtores e ações constantes de ONGs preocupam o setor, que já vem sofrendo em função da situação de crise.

Abiec

O presidente da Associação Brasileira da Indústria Exportadora de Carne (Abiec), o economista Roberto Giannetti da Fonseca, fez duras críticas ao Ministério Público Federal e ao Greenpeace, durante audiência pública. "As informações em sites fazem parecer que eles (MP) e as ONGs são heróis, enquanto as empresas são as vilãs", considerou. "É preciso que haja uma correção disciplinar, por parte do Senado, a esses fatos que ocorreram no Estado do Pará", pediu.

Giannetti da Fonseca explicou que, de 24 a 27 de maio, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e o Ministério Público vistoriaram frigoríficos no Estado e entregaram 14 autos de infração às empresas. "Com base nestes autos, sem que tenha sido dado às empresas o direito de defesa, o MP obteve a lista de clientes do Frigorífico Bertin e deu a eles 10 dias de prazo para dizerem se comprariam carne desses fornecedores ou não", argumentou. "Temos aqui inconstitucionalidade, pois os fornecedores não tinham sido condenados", continuou.

O presidente da Abiec sugeriu também ao MP que diga se houve ou não quebra de sigilo fiscal nessa ação, já que, de acordo com Giannetti da Fonseca, buscaram dados das empresas em órgãos do governo. "Não é possível que o MP atinja o direito das empresas, sem mandato judicial", afirmou. O MP não enviou, porém, qualquer representante para a audiência pública. A alegação é de que estariam participando de um evento na Câmara. Durante sua explanação, o economista enfatizou que os 2,5 mil fornecedores do frigorífico Bertin não estão incluídos na listagem de propriedades embargadas pelo Ibama e nem pelo Ministério do Trabalho.

"Os fornecedores não cometeram crime e os clientes, acuados, disseram que não vão mais comprar carne do Estado do Pará. Mas que história é essa? Não se respeitam mais os direitos das empresas. Esses fatos são muito graves. Me assusta a irresponsabilidade com que o MP trata o caso", criticou o presidente da Abiec.

Giannetti da Fonseca salientou que, apesar da propaganda do Greenpeace, nenhum quilo de carne da Amazônia é exportada para a União Europeia. Não é vendida por causa de questões sanitárias, segundo o economista, e não por problemas ambientais. "Esta é uma má publicidade de ONGs, que dizem que praticamente todo o gado brasileiro é produzido na Amazônia. É uma mentira quando dizem que o gado brasileiro vem da Amazônia", defendeu. O presidente da Abiec destacou ainda que representantes do Greenpeace também não compareceram à audiência pública. Para ele, o MP agiu inspirado pelo Greenpeace e não de modo próprio.

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