CNA diz que outros países devem voltar a comprar carne do Brasil

O chefe do Departamento de Assuntos Internacionais e de Comércio Exterior da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Antônio Donizeti Beraldo, comemorou hoje a decisão de Israel de retomar as compras de carne bovina do Brasil. "É um sinal muito positivo. O crescente número de países que embargaram o produto começa a retroceder", avaliou. Depois de confirmados focos de febre aftosa no rebanho do Mato Grosso do Sul, 49 países suspenderam, de forma integral ou parcial, as importações de carne do Brasil. Israel é o primeiro país a rever a restrição comercial. O país retomará as importações de carne desossada e de miúdos, com exceção do produto proveniente dos estados do Mato Grosso do Sul, Paraná e São Paulo. A nota diz ainda que a medida foi adotada depois da divulgação dos últimos informes sobre os focos de febre aftosa no Brasil. De acordo com números da CNA, entre janeiro e agosto, Israel gastou US$ 30 milhões com compras de carne bovina brasileira. Esse valor, explicou Beraldo, representou 1,4% do total exportado pelo País no período. Ele lembrou a importância de a União Européia, principal mercado para a carne brasileira, retomar as compras. Outro importante mercado é o Egito, que comprou, no período, US$ 200 milhões em carnes. A Rússia gastou US$ 370 milhões com as importações brasileiras. Esses países mantêm o embargo ao produto brasileiro. Mato Grosso do Sul tem hoje 24 focos da doença O chefe do Departamento de Saúde Animal do Ministério da Agricultura, Jorge Caetano, informou hoje que subiu para 24 o número de focos de aftosa no Mato Grosso do Sul. Exames laboratoriais confirmaram dois novos focos da doença no município de Japorã, que fica na região interditada do Estado, que engloba os municípios de Itaquiraí, Iguatemi, Japorã, Mundo Novo e Eldorado, todos no extremo sul. Já foram confirmados casos da doença nos municípios de Eldorado, Japorã e Mundo Novo. Os registros foram confirmados em assentamentos, o que, segundo o diretor, não surpreende o governo. Isso porque, pela proximidade das fazendas, a disseminação do vírus é mais fácil. Ele avaliou que os registros da doença estão diminuindo, apesar das atuais condições climáticas serem favoráveis à propagação do vírus. Isso porque, explicou, o vírus da febre aftosa sobrevive ao solo molhado. Tem chovido com freqüência no Mato Grosso do Sul. Balanço do ministério e da Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal (Iagro-MS) divulgado hoje mostra que foram sacrificados 11.753 bovinos, 137 ovinos e 116 suínos, totalizando 12.006 animais em 37 propriedades do Mato Grosso do Sul.

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