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CNA pede linha de crédito para média agroindústria

A criação de uma linha de crédito especial para financiar as pequenas e médias agroindústrias, principalmente do setor de carnes, é uma das propostas do novo Plano de Safra 2013/14 apresentada hoje de manhã pela presidente da Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), senadora Kátia Abreu (PSD/TO), em audiência na Comissão de Agricultura do Senado Federal. Ela afirmou que está otimista em relação à criação da nova linha de crédito, pois a sugestão foi bem aceita pela equipe econômica do governo.

VENILSON FERREIRA, Agencia Estado

18 de abril de 2013 | 11h49

A senadora explicou o objetivo é fortalece as pequenas e médias empresas que, por falta de capital, estão sendo absorvidas pelos grandes grupos. A superintendente técnica da CNA, Rosemeire dos Santos, que participou da audiência, cita como exemplo os setores lácteos e de carnes. "Em nível nacional não existe a mesma concentração que ocorre em termos regionais e municipais, que provoca a perda de competitividade das empresas locais", diz a técnica.

Na audiência, a CNA apresentou suas propostas de médio e longo prazos para a política agrícola brasileira, como a adoção de um plano de safra quadrianual a partir do próximo pacote de medidas, que será lançado em junho, que teria uma programação de recursos para 18 meses. Rosemeire dos Santos justifica a proposta de mudança argumentando que a agricultura brasileira se tornou mais dinâmica, com várias épocas de plantio ao longo do ano. Ela observa que hoje, quando o plano de safra é lançado, os agricultores já compraram boa parte dos insumos e que, meses depois, quando as medidas anunciadas chegam às agências bancárias, o produtor já tomou a decisão de plantio.

A proposta da CNA para o próximo plano de safra é de alocação de recursos da ordem de R$ 132 bilhões para financiar a agricultura empresarial, ante os R$ 115,2 bilhões liberados na safra atual. A CNA calcula que a demanda por recursos totaliza R$ 191,7 bilhões e que parte será coberta com dinheiro dos próprios agricultores e financiamentos do setor privado. A entidade cita como exemplo que em Rondonópolis (MT) na safra atual os agricultores plantaram 35% da soja e 60% do milho com capital próprio. Na região Sul, a participação dos recursos oficiais é maior, ultrapassando os 50%.

A CNA defende a redução da taxa de juros do crédito rural dos atuais 5,5% para 4,25% ao ano. A superintendente técnica acredita que as condições macroeconômicas permitem ao governo reduzir a taxa de juros do crédito rural abaixo dos 4,75% ao ano. A entidade também sugere a revisão e regionalização dos preços mínimos do café, levando em conta que as condições da cafeicultura de montanha, onde o uso da mão de obra é intenso, difere da região de cerrado, onde a mecanização é maior.

Entre outras propostas da CNA, destaca-se a criação de programa para fortalecimento do setor leiteiro, com recursos da ordem de R$ 1,1 bilhão, para financiar a melhoria das pastagens e a mecanização da ordenha. Outra proposta é o plano nacional de armazenagem, com recursos da ordem de R$ 1,7 bilhão no primeiro ano. Rosemeire dos Santos observa que nos Estados Unidos 55% da armazenagem é feita nas fazendas, enquanto no Brasil apenas 13,6%. Ele argumenta que a deficiência de armazéns nas propriedades rurais gera o caos logístico, porque a safra é escoada logo após a colheita, o que provoca congestionamento nas estradas e nos portos.

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