CNA: restrição nos EUA explica alta dos alimentos

O superintendente técnico da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Ricardo Cotta, apontou os Estados Unidos como um dos responsáveis pela alta dos preços dos produtos agrícolas no mercado internacional. A crescente demanda por alimentos por parte da China, avaliou, também influencia no ritmo de preços. De acordo com ele, todas as áreas agricultáveis nos Estados Unidos estão ocupadas, ou seja, a opção dos produtores locais por determinado plantio representa diminuição no cultivo de outras culturas.É isso que tem acontecido nos últimos anos com o milho - grão que é usado nos Estados Unidos para a produção de etanol, cultura que ocupou espaço antes destinado às lavouras de soja, trigo e algodão. "O efeito etanol nos Estados tem dado contribuição importante para o aumento dos preços das principais commodities no mercado internacional", afirmou. Ele lembrou que o crescimento na demanda americana por milho para a produção de etanol foi "brutal" nos últimos três anos.Na safra 2005/06, os americanos demandaram 40,7 milhões de toneladas de milho para a produção de etanol. Na safra seguinte, 2006/07, essa demanda atingiu 53,8 milhões de toneladas. O consumo cresceu para 81,3 milhões de toneladas na safra 2007/08 e as previsões para a safra atual, 2008/09, indicam demanda de 104,1 milhões de toneladas. "A safra americana não tem crescido nessa proporção", disse.Na safra 2007/08, que já foi colhida e praticamente toda comercializada, a área plantada com milho nos Estados Unidos cresceu 19%, disse ele, citando números do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). O crescimento significou recuo nas áreas cultivadas com outros tipos de culturas. "Os Estados Unidos são grandes produtores mundiais de grãos e qualquer alteração no sistema local de produção influencia no mercado internacional", disse.Com o aumento da demanda interna, os americanos deixaram de exportar pelo menos 50 milhões de toneladas de milho. "O excedente de milho que costumava ser exportado acabou ficando no mercado interno para suprir a demanda local", afirmou. Nos últimos anos, os americanos exportaram cerca de 300 milhões de toneladas de milho.

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