CNAA põe usinas à venda e demite mais de 1 mil

Passados três anos desde sua fundação, a Companhia Nacional de Açúcar e do Álcool (CNAA) colocou suas duas usinas à venda. A companhia foi criada com objetivos audaciosos, mas não conseguiu atingir as metas pretendidas.

Eduardo Magossi, O Estado de S.Paulo

27 de agosto de 2010 | 00h00

A CNAA surgiu em 2007 a partir de uma joint venture entre o grupo Santelisa Vale (hoje incorporada pela Louis Dreyfus Commodities) e um pool de fundos de investimentos estrangeiros, entre eles o Riverstone, do Carlyle Group, além do Goldman Sachs, Global Foods e Discovery Capital. O Riverstone é um dos principais fundos especializados em energia do mundo e administra uma carteira com recursos superiores a US$ 15 bilhões.

A companhia tinha como objetivo construir três usinas nos estados de Minas Gerais e Goiás, que estariam em operação até a safra de 2009/10. Duas delas chegaram a ficar prontas e estão em operação: a Itumbiara, em Goiás, e a Ituiutaba Bioenergia, no Triângulo Mineiro. A terceira usina, Campina Verde, também em Minas, não foi concluída e, segundo fontes próximas, não deve entrar em operação por falta de recursos para terminar a obra. No website do fundo Riverstone, o status da CNAA é descrito como "não realizado".

A negociação para venda da empresa está sendo tocada pelo banco Credit Suisse e várias empresas consolidadoras participam da concorrência. Fonte próxima ao negócio diz que os ativos, embora atraentes, estão com preço muito elevado. Os investimentos foram feitos em um momento em que os custos estavam altos, o que contribuiu para a crise na CNAA.

Segundo informação da Confederação Nacional dos Trabalhadores Químicos, mais de mil funcionários foram demitidos pela empresa desde o início do ano, principalmente na unidade de Campina Verde.

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