CNDL reclama do juro: 'dose alta pode matar paciente'

A Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) lamentou a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de aumentar a taxa básica de juros, e reitera que as medidas adotadas em conjunto pelo Banco Central e pelo Ministério da Fazenda no esforço de combater as pressões inflacionárias têm produzido um efeito nefasto na economia. O Copom aumentou hoje a taxa Selic em 0,25 ponto porcentual, ficando agora em 12% ao ano.

AE, Agencia Estado

20 de abril de 2011 | 20h47

Para o presidente da CNDL, Roque Pellizzaro Junior, a elevação da Selic está mitigando a oferta imediata de recursos não só para o consumo, como pretende o governo, como também para o investimento produtivo, o que pode gerar um descompasso ainda maior no futuro entre oferta e demanda. "Estão aumentando a dose de um remédio que já não surtiu efeito, e que não é adequado para a doença em questão. É preocupante, porque esse remédio, em doses muito altas, pode matar o paciente ao invés de curá-lo", alertou o presidente da CNDL, em nota distribuída à imprensa.

Pellizzaro lembra, na nota, que o descontrole da inflação se deve mais aos aumentos de preços nos itens alimentação e transportes do que em bens de maior valor agregado, como carros, motocicletas e eletroeletrônicos, que são mais suscetíveis ao volume de crédito disponível. Esse efeito, segundo ele, se evidencia pelos números divulgados hoje pelo IBGE do Índice de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) de abril, que mostrou claramente que a carestia se encontra nos itens de consumo diário, que não são afetados por medidas de contenção de crédito.

"O governo precisa conseguir novas estratégias para conter a demanda, porque o problema é que não há oferta suficiente, e muito provavelmente chegaremos a 2012 com inflação acima do teto da meta, de 6,5%. O Brasil precisa de infraestrutura condizente com sua capacidade de consumo, e o aumento de juros vai na direção contrária de resolver essa questão", avaliou.

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