CNI: alta da Selic era esperada em cenário de contração

O aumento de 0,5 ponto porcentual nos juros básicos da economia, anunciado nesta quarta-feira, 28, pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), era esperado pela indústria, diante do atual quadro de inflação alta, valorização do dólar e retração da atividade. Essa é a avaliação da Confederação Nacional da Indústria (CNI) diante da alta da Selic de 8,5% para 9% ao ano.

AYR ALISKI, Agencia Estado

28 de agosto de 2013 | 20h33

"A elevação de 0,5 ponto porcentual nos juros era esperada no cenário atual de contração da liquidez internacional e pressão sobre as moedas dos países emergentes. No plano doméstico, mesmo com a desaceleração dos últimos meses, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulado em 12 meses continua perto do teto da meta de inflação, o que requer atenção com a trajetória dos preços", cita a nota. A CNI alerta que "estabilidade e crescimento econômico exigem combinação de políticas monetária e fiscal".

De acordo com a confederação, a desvalorização do real é positiva para os exportadores e terá efeitos de médio prazo na atividade produtiva. Mas a CNI adverte que, por outro lado, a mudança cambial é negativa por causa das possíveis pressões sobre a inflação. A confederação avalia que o aumento dos juros é instrumento importante para enfrentar situações dessa natureza, mas receia que, se utilizada em proporções excessivas, essa medida poderá provocar retração dos investimentos e desestimular de forma mais intensa o consumo no futuro próximo, comprometendo a recuperação da economia brasileira.

"Para assegurar a desaceleração da inflação com menor impacto na atividade produtiva, a CNI reitera a necessidade de haver maior sintonia entre a política monetária e a fiscal, com o controle do ritmo de expansão dos gastos públicos e rigor e comprometimento com as metas fiscais. Só a sincronização dessas políticas reverterá o atual quadro de alta inflação e baixo crescimento econômico", destaca a nota da CNI.

Firjan

Em resposta ao aumento da taxa Selic, a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) defendeu, em nota, "a necessidade de correção do atual mix de políticas econômicas, de forma que a política fiscal contribua no combate à inflação e na retomada da confiança de empresários e investidores estrangeiros".

Segundo a Firjan, "o primeiro passo nesse sentido poderia ser dado através da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), com a fixação de uma meta de superávit primário maior para o ano que vem, e que seja obtida através da contenção dos gastos correntes e sem artifícios contábeis". De acordo com a federação, "esse momento, aumentar os gastos apenas contribuirá para pressionar a inflação e agravar nossa estrutural insuficiência de poupança."

"O quarto aumento consecutivo da taxa Selic (de 8,5% para 9%) ocorre ao mesmo tempo em que as expectativas de inflação são revisadas para cima, tanto para este quanto para o próximo ano, por conta do esperado impacto da desvalorização do real sobre os preços", afirma a nota da federação. "Além disso, a perspectiva a respeito do fim do programa de expansão monetária do banco central americano aumentou as incertezas quanto ao financiamento externo, pressionando ainda mais a taxa de juros. Afinal, o baixo nível de poupança doméstica limita o crescimento brasileiro à capacidade de captação de poupança externa".

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