CNI: apesar de melhora, crise não está superada

O economista-chefe da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Flávio Castello Branco, afirmou hoje que apesar da melhora mostrada nos dados da indústria em julho e da mudança de quadro econômico que começa a se desenhar, não se pode dizer que a crise está superada, uma vez que os números ainda mostram queda significativa na comparação com igual mês de 2008. "A crise não está superada no setor industrial, apesar da melhora clara e mais abrangente. A indústria ainda está trabalhando em nível menor que no ano passado. A recuperação da crise só se dará quando os indicadores voltarem aos níveis de agosto e setembro de 2008", afirmou o economista, que espera que os números voltem ao patamar pré-crise somente no início do ano que vem.

FABIO GRANER, Agencia Estado

09 de setembro de 2009 | 13h23

Para Castello Branco, a retomada da indústria será mais clara neste terceiro trimestre. Ele acredita que agosto volte a registrar números positivos. Mas o economista acredita que essa situação de queda dos indicadores industriais em relação a igual mês de 2008 só deva se reverter no fim do ano, provavelmente nos meses de novembro e dezembro. "O segundo semestre será bem melhor para a indústria", afirmou Castello Branco.

Emprego

Castello Branco afirmou também que o "ajuste no mercado de trabalho", ou seja, a fase de corte de empregos, provavelmente acabou. Segundo ele, no segundo semestre não deve ocorrer mais cortes de empregos, mas a recuperação dos empregos deve ser "moderada". Em julho, o emprego na indústria ficou estável na comparação com junho, pelo critério dessazonalizado, mas acumula queda de 3,1% no ano.

O economista da CNI Marcelo de Ávila explicou que a recuperação do emprego depende de uma melhora significativa no indicador de horas trabalhadas na indústria, que, segundo ele, ainda não mostra sinais de recuperação, apesar de dois meses seguidos de estabilidade. Ávila destacou que as curvas de evolução do emprego e das horas trabalhadas apresentadas pela CNI ainda se mostram distantes. "O emprego cresce quando as curvas se aproximam", afirmou o economista.

Castello Branco destacou ainda que o emprego sentiu menos os efeitos da crise porque os empresários entenderam que os problemas não seriam duradouros. Dessa forma, o ajuste da indústria ocorreu de forma mais intensa nas horas trabalhadas. "Como a crise foi muito forte, houve impacto também no mercado de trabalho. As empresas, sabendo que a crise teria um efeito temporário fizeram ajuste de emprego menor do que nas horas trabalhadas", afirmou.

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