CNI comemora queda do juro; Força Sindical vê timidez

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) comemorou a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central de reduzir a taxa básica de juros (Selic) em um ponto porcentual. De acordo com nota divulgada pela assessoria de imprensa, o presidente da CNI, deputado Armando Monteiro Neto (PTB-PE), "considerou positiva e em sintonia com o ajuste rápido e intenso de que o Brasil necessita" o corte da taxa de juros.

SANDRA MANFRINI, FABIO GRANER E EQUIPE AE, Agencia Estado

10 de junho de 2009 | 20h47

Monteiro Neto lembrou ainda, de acordo com a nota, que a economia do País continua apresentando sinais desfavoráveis. "O resultado do PIB no primeiro trimestre divulgado ontem, apesar de melhor do que o esperado pelo mercado, mostra a extensão do forte impacto recessivo que o Brasil sofreu com a crise internacional", comentou.

O presidente da CNI lembrou que o investimento, "condição necessária para o crescimento sustentável", apresentou queda inédita de dois dígitos. "Os indicadores de produção e emprego da indústria ainda estão longe de apresentar um sinal de recuperação, demonstrando apenas que o ritmo de piora diminuiu", disse Monteiro Neto, para quem a constante desaceleração do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) mostra que ainda há espaço para um maior corte dos juros. "Nesse sentido, é importante que o Copom mantenha o ciclo de cortes na Selic, em suas próximas reuniões, de modo a permitir a normalização da situação da economia e o retorno ao crescimento", concluiu.

Fiesp

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) divulgou nota afirmando que, "apesar de finalmente chegar a um dígito", o juro básico de 9,25% ao ano ainda mantém o País com "taxa real superior a 5%, a mais elevada do mundo". "Precisamos ter consciência de que o Brasil ainda não venceu a crise internacional. Portanto, é decisivo diminuir o custo do dinheiro para os setores produtivos e o mercado consumidor, estimulando a economia", salientou o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, na nota.

Skaf ponderou ainda que a política de redução da Selic pelo Copom tem sido muito lenta e continua aquém da realidade. "Nada explica juros básicos superiores a 7% ao ano, o que já equivaleria a três pontos percentuais acima da inflação."

Força Sindical

A queda de 1 ponto porcentual da Selic, para 9,25% ao ano, é tímida e insuficiente para aquecer o consumo, gerar empregos e melhorar o PIB do segundo semestre, diz a Força Sindical, em nota. "Um pouco mais de ousadia traria enormes benefícios para o setor produtivo, que gera emprego e renda e anseia há tempos pelo crescimento expressivo da economia. É um absurdo esta mesmice conformista dos tecnocratas do Banco Central. O governo não pode continuar com esta política que privilegia os especuladores em detrimento da produção e o emprego", diz o presidente da entidade, deputado federal Paulo Pereira da Silva, o Paulinho.

Na avaliação da Força Sindical, "os membros do Banco Central insistem em contrariar os interesses nacionais". A nota diz ainda que o cenário econômico em recessão está favorável a uma queda drástica na taxa básica de juros. "O governo não pode continuar com esta política de incentivo a usura no País."

Conquista

O líder do PT no Senado, Aloizio Mercadante (SP), comemorou a decisão do Copom de reduzir em um ponto porcentual a taxa Selic e disse que ela é positiva em três aspectos. Inicialmente, porque é a primeira vez que o Brasil tem taxas de juros de um dígito, o que representa "uma grande conquista depois de uma longa caminhada". O segundo motivo, disse, é que a medida reduz o diferencial de taxa de juros, amenizando o processo de apreciação do real, embora o senador tenha ressaltado que este não é o principal fator que tem levado à valorização da moeda brasileira. "Mas, o diferencial de juros é de fato um fator adicional (para apreciação do real)", disse.

O terceiro aspecto, destacou Mercadante, é que a medida alivia as contas fiscais do governo, dando melhores condições para uma política anticíclica e para que o Brasil tenha solidez fiscal na retomada da economia, já que a relação dívida/PIB deve ficar estável. Essa solidez fiscal, segundo o senador, será especialmente importante no futuro, quando os países desenvolvidos tiverem que ajustar suas políticas fiscais, que hoje são expansionistas, para enfrentar a crise.

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