CNI contesta BC e diz que indústria está preparada para demanda

O coordenador da Unidade de Política Econômica da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Flávio Castelo Branco, criticou hoje a avaliação do Banco Central de que a indústria não está preparada para atender um aumento de demanda que possa ser criado pelo crescimento da economia. Essa avaliação do BC levou o mercado financeiro a reduzir sua previsão de redução da Selic - a taxa básica de juros da economia - de 0,50 ponto porcentual para 0,25 ponto porcentual, em setembro. Hoje, a taxa Selic está em 19,75% ao ano e a próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que reavaliara a Selic, está marcada para os dias 20 e 21 de outubro. "Esta é uma síndrome de baixo crescimento", afirmou Castelo Branco. "A economia pode crescer, porque o setor industrial tem como atender um aumento da demanda". Segundo o economista, o Brasil pode "ficar preso numa armadilha se não houver a redução dos juros". Pelo raciocínio dele, se não houver redução do custo do capital, com a redução dos juros, os investimentos podem não acontecer para atender a demanda no médio e longo prazos. No curto prazo, ele garante que a indústria tem condições de suprir a demanada. Perspectivas Castelo Branco disse acreditar que há espaço para que a Selic baixe entre 2 e 3 pontos porcentuais nos próximos seis meses e vire o ano em torno de 17% ao ano. Para isso, ele argumentou que as taxas de inflação estão muito baixas e as taxas de financiamento internacionais, também num patamar baixo e não devem subir nos próximos meses. "Claro que o Banco Central não faz política de crescimento", afirmou Castelo Branco. "Mas não pode ter uma política anticrescimento". Ele lembrou que a média de crescimento econômico dos países emergentes tem ficado de 2 a 3 pontos porcentuais acima das taxas registradas pelo Brasil.

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