CNI critica cota argentina para eletrodomésticos brasileiros

O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Armando Monteiro Neto, disse hoje que considera prejudicial ao diálogo a exigência da União Industrial Argentina (UIA) de que sejam estabelecidas cotas para entrada naquele país de eletrodomésticos produzidos no Brasil. Após uma solenidade de assinatura de convênio entre CNI/Sesi e a Organização Internacional do Trabalho (OIT) para adoção de ações que aumentem a proteção e a segurança aos trabalhadores da indústria, Monteiro Neto classificou a exigência como "artificial e violenta".O industrial, no entanto, defendeu a continuidade neste momento do diálogo entre os empresários dos dois países e um posicionamento mais enfático do governo brasileiro somente se não houver acordo. "Considero a imposição de cotas uma medida artificial e que violenta uma posição, que é própria dos dois países, de se complementarem. O setor empresarial está buscando um caminho pela interlocução. Obviamente, se persistir essa posição de força, o governo brasileiro terá que intervir e procurar uma posição que harmonize os interesses", disse Monteiro.Enfraquecimento das relaçõesPara o presidente da CNI, esse tipo de disputa comercial entre Brasil e Argentina é ruim para ambos, pois enfraquece os dois, especialmente, no âmbito de negociações comerciais que envolvem blocos econômicos. O Mercosul, por exemplo, está neste momento no meio de negociações para um acordo de livre comércio com a União Européia. "Acho que isso (a disputa comercial) tensiona a relação e, nesse aspecto, acho muito ruim", afirmou. Sobre a avaliação cautelosa do presidente Luís Inácio Lula da Silva sobre as perspectivas de crescimento da economia este ano, Monteiro Neto considerou normal para um chefe de Estado ter uma posição cautelosa."É sempre melhor ser cauteloso e comemorar um resultado que ultrapasse o esperado do que o contrário", disse o presidente da CNI, ressaltando, no entanto, que a perspectiva de crescimento do País e da indústria, segundo a CNI, é otimista porque decorre de um processo de observação dos vários setores da indústria.

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