Wilton Junior/Estadão
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CNI critica fusão de Mdic, Fazenda e Planejamento defendida por Bolsonaro

A indústria não pode estar ligada a uma área que tem como prioridades o aumento de receitas e a redução de despesas, apontou o presidente da CNI, Robson Andrade

Lorenna Rodrigues, O Estado de S.Paulo

22 Outubro 2018 | 17h45

BRASÍLIA - A Confederação Nacional da Indústria (CNI) criticou a proposta do candidato à presidência Jair Bolsonaro (PSL) de unificar o ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços com os da Fazenda e do Planejamento. A promessa consta do programa de campanha do candidato.

Em nota, a confederação defendeu que o Mdic seja "forte e independente" e disse que a possível extinção do ministério preocupa o setor industrial. 

"A indústria não pode estar ligada a uma área que tem como prioridades o aumento de receitas e a redução de despesas. Os ministérios da Fazenda e do Planejamento desempenham papéis específicos. Quem vai defender as políticas industriais?", questiona, na nota, o presidente da CNI, Robson Andrade.

Recentemente, representantes da indústria automotiva se queixaram de que a campanha de Bolsonaro tem conversado mais com mercado do que com o setor produtivo.

A CNI também criticou uma possível redução unilateral de tarifas de importação. A redução de tarifas também é uma proposta de Bolsonaro. Em nota, a entidade defendeu que a abertura comercial é importante para uma integração do Brasil ao mercado internacional, mas que isso deve ser realizado por meio de acordos comerciais.

A avaliação é que uma redução unilateral de tarifas de importação não garante que o Brasil passe a acessar outros mercados e aumenta a concorrência dentro do mercado brasileiro em um momento de baixo crescimento e alto desemprego.

"Sem criar condições internas para a competitividade das empresas brasileiras lá fora, ou para concorrer com produtos importados que venham de economias com melhor ambiente de negócios, a redução unilateral de tarifas pode destruir o que existe aqui dentro", afirma Andrade.

Na nota, o presidente defendeu que, com a negociação de acordos comerciais, o Brasil consegue também assegurar a abertura de seus mercados de exportação, uma vez que os acordos garantem a reciprocidade.

Ele lembra ainda que os acordos têm que ser aprovados pelo Congresso Nacional, o que legitima e confere segurança jurídica. Entre os acordos comerciais em negociação, a CNI defende a conclusão dos acordos com a União Europeia, México, Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA) e Canadá, além do início do diálogo com países como Estados Unidos e Japão. 

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