CNI: dados da indústria ainda não mostram recuperação

O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Armando Monteiro, disse que os dados da indústria ainda não mostram uma recuperação do setor. "Interrompemos um processo de queda livre da atividade industrial, há uma estabilização e um crescimento ainda muito pequeno da produção na margem, mas não arriscaria dizer que há uma recuperação", disse ele em entrevista após palestra no XXI Fórum Nacional, na sede do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), no Rio.

JACQUELINE FARID, Agencia Estado

19 de maio de 2009 | 19h24

Ele mostrou preocupação em relação à queda das exportações de bens manufaturados e disse que é preciso baratear os financiamentos no País, com redução dos spreads para os empréstimos. Segundo o líder empresarial, "os spreads no Brasil são uma distorção no ambiente econômico, não há país no mundo com condições tão hostis de financiamento". Ele acrescentou que "para melhorar as condições de financiamento o ambiente tem que ser concorrencial, os bancos públicos estão fazendo o seu papel", afirmou. Spread é a diferença entre o custo pago pelo banco para captar recursos e o juro que ele cobra dos clientes.

Monteiro disse que a redução dos spreads "é uma questão muito complexa" e inclui a discussão do papel de instituições não bancárias, como cooperativas de crédito, nos financiamentos, além de mudanças nos tributos sobre intermediação financeira, "que quem paga é o tomador dos empréstimos".

Segundo Armando Monteiro, as exportações de manufaturados têm registrado queda em torno de 30% e o recuo atinge segmentos como bens de capital (máquinas e equipamentos), siderurgia, automóveis e celulose. "A reversão desse cenário depende da demanda global, mas também que o Brasil cuide da competitividade das exportações, com desoneração tributária e redução da burocracia e do custo do financiamento às exportações", afirmou.

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