CNI defende que queda na produção industrial foi efeito-calendário

A Confederação Nacional das Indústrias (CNI) fez hoje um alerta sobre a queda de 2,5% na produção industrial de julho ante junho, medida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo a Nota Econômica da entidade, o recuo na produção teve forte impacto do efeito-calendário. Ou seja, julho teve um dia útil a menos do que o mês anterior, uma característica fora do padrão histórico que não foi captada pelo procedimento de ajuste sazonal do IBGE. De acordo com a CNI, "é preciso cautela ao afirmar que a produção está caindo e esperar os resultados dos próximos meses para se confirmar ou não uma tendência de desacelaração da atividade industrial." A CNI verificou, ao utilizar um método que controla o número de dias úteis e os feriados para calcular a série dessazonalizada, que a queda da indústria geral começou de forma amena em junho, com redução de 0,3%, e continuou em julho, quando recuou 1,4%. Esse comportamento, informa a CNI, destoa um pouco do apresentado pelo IBGE, segundo o qual a indústria registrou um crescimento forte até o fim do primeiro semestre e, depois de aumentar 2% em junho, recuou 2,5% em julho. O porcentual não era observado desde 2002, período de incertezas referentes à troca de governo. Paulo Mol, economista da CNI, explica que um dos motivos que poderia explicar em parte a redução da produção no bimestre junho-julho é a estratégia das empresas para diminuir os estoques, uma vez que a Sondagem Industrial CNI do segundo trimestre apurou acúmulo de estoques que não estavam nos planos dos empresários. O economista da CNI adianta que os números do IBGE referente ao desempenho da indústria em agosto poderão surpreender novamente, mas de maneira positiva, pois agosto teve dois dias úteis a mais do que julho.

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