Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

Faturamento da indústria cai 6,3% e confirma dificuldade de recuperação

Pesquisa da CNI indica que desde a greve dos caminhoneiros, em maio de 2018, setor não consegue engrenar sequência de bons resultados; entre os problemas que impedem a retomada estão falta de demanda e excesso de estoque

Luci Ribeiro, O Estado de S.Paulo

02 de maio de 2019 | 11h31

BRASÍLIA - A indústria brasileira continua com dificuldades e, desde a greve dos caminhoneiros em maio passado, o setor não consegue engrenar em uma sequência de bons resultados que poderiam sugerir recuperação da atividade. 

É o que diz a pesquisa Indicadores Industriais de março, divulgada na manhã desta quinta-feira, 2, pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). No mês, o faturamento industrial teve mais uma queda, de 6,3%, as horas trabalhadas na produção diminuíram 1,5% e a utilização da capacidade instalada recuou 0,9 ponto porcentual em relação a fevereiro na série livre de influências sazonais.

Dentre os componentes da pesquisa, emprego e massa salarial se mantiveram estáveis em março. No mês, apenas o rendimento médio real do trabalhador da indústria teve aumento, de 1,2%, após os ajustes sazonais. "O crescimento reverte a queda observada em fevereiro, de 0,9%", cita o documento.

Com a estabilidade de março, é a sétima vez nos últimos 12 meses que o emprego não se altera na comparação mensal. No entanto, o emprego está apenas 0,1% acima do registrado em março de 2018 e, na comparação entre os primeiros trimestres de 2019 e 2018, não há alteração. Já a massa salarial manteve-se estável em março, na série dessazonalizada, depois de queda de 3,6% acumulada nos dois meses anteriores. 

"A massa salarial de março de 2019 é 2,7% menor que a registrada no mesmo mês de 2018. Ao se comparar o 1.º trimestre dos mesmos anos, o recuo é de 2,4%", diz o relatório.

Segundo o economista da CNI Marcelo Azevedo, "três problemas impedem a recuperação da indústria. Um é a falta de demanda. O outro é o excesso de estoques, que elevam os custos das empresas, e, finalmente há a questão financeira". O economista destaca que as empresas continuam com a situação financeira debilitada, "o que adia as decisões sobre a produção e o emprego". 

O estudo mostra ainda que, no primeiro trimestre deste ano em comparação com último trimestre de 2018 na série dessazonalizada, o faturamento da indústria teve queda de 4,1%. 

No mesmo período, a utilização da capacidade instalada recuou 0,3 ponto porcentual e as horas trabalhadas na produção subiram apenas 0,2%. O emprego subiu apenas 0,1%, a massa real de salários caiu 0,8% e o rendimento médio do trabalhador teve queda de 1,5%.

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