CNI: fim da CPMF cria incertezas, mas sem alarme

O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Armando Monteiro Neto, afirmou hoje que o fim da CPMF, em 2008, cria um quadro de incertezas. Mas ressaltou que não há uma posição alarmista ou de maior preocupação por causa do fim do imposto. Ele lembrou que a indústria sempre defendeu a extinção da CPMF.Monteiro Neto acredita que se o crescimento econômico, em torno de 4,5% e 5%, se sustentar em 2008, terá efeito sobre a arrecadação e poderá acomodar essa perda de receita. Ele disse, no entanto, que algumas restrições no curto prazo serão necessárias. Como exemplo citou o caso do setor da saúde, que não terá mais ampliação de recursos."Neste pacote deve-se incluir tudo, como contingenciamento de emendas de parlamentares e algum mecanismo de controle de gastos em todos os níveis de poder", afirmou. Para Monteiro Neto, o fim da CPMF pode trazer redução de preços em alguns setores industriais onde a concorrência é maior. Por outro lado admitiu que em outros setores onde a demanda não está tão aquecida, as empresas podem aumentar as suas margens de lucro.Política industrialSobre o adiamento do anúncio da nova política industrial pelo governo, em decorrência do fim da CPMF, Monteiro Neto disse que entende o movimento apenas como uma "postergação da desoneração dos investimentos". "Mas há outras questões na política industrial que não serão afetadas", disse o presidente.Ele avaliou que o governo não deve promover elevação de alíquotas de impostos para compensar a CPMF. Segundo Monteiro Neto a expectativa da CNI é de que o Banco Central continue adotando uma política de maior cautela na definição da taxa de juros, em razão do alto nível de utilização da capacidade instalada das empresas. Mas destacou que as empresas estão investindo para suprir a demanda e por isso a CNI não acredita em um desequilíbrio entre oferta e demanda. "Existe um movimento de alto investimento das empresas que é pouco percebido", afirmou.Câmbio e gasto públicoO presidente da CNI disse que a apreciação do câmbio e o aumento do gasto público ainda são motivos de preocupação da entidade. "Essa trajetória de crescimento dos gastos públicos preocupa, porque sobrecarrega a política monetária", disse Monteiro Neto.Ele acredita que o aumento dos gastos públicos também aponta para a elevação da carga tributária. "A arrecadação sempre cresce acima do PIB, por causa da maior formalização do emprego e do crescimento do lucro das empresas, mas também por algum aumento de carga tributária", disse. Ele afirmou que alguns gargalos de infra-estrutura, como a oferta de energia, também preocupam.Para Monteiro Neto, a falta de mão-de-obra qualificada é um gargalo importante. "Esta questão já começa a ser sentida nas grandes empresas", disse Monteiro Neto, citando como exemplo a necessidade formação de mais engenheiros no Brasil.

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