CNI: índice revela otimismo da indústria para o ano

O Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei) do mês de fevereiro revela, principalmente, que a confiança e o otimismo com relação ao desempenho das empresas neste ano são bastante elevados. A avaliação é do gerente-executivo da Unidade de Política Econômica da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Flávio Castelo Branco. "As empresas estão esperando um bom ano, com aumento de produção, de horas trabalhadas e do nível de emprego", disse Castelo Branco.

SANDRA MANFRINI, Agencia Estado

25 de fevereiro de 2010 | 13h17

Segundo ele, o recuo no Icei, que passou de 68,7 pontos em janeiro para 67,8 pontos em fevereiro, reflete apenas uma "acomodação" do comportamento de euforia que normalmente toma conta das expectativas no final do ano e que acaba se transferindo para o primeiro mês do ano. "Estamos num patamar muito elevado (de confiança), então, qualquer alteração é esperada", disse. O Icei varia no intervalo de zero a 100, sendo que valores acima de 50 indicam empresários confiantes. Mesmo com o recuo para 67,8 pontos, o índice registrado em fevereiro ainda é 9,2 pontos acima da média histórica (58,6 pontos) registrada pela pesquisa.

O economista destacou ainda que o ajuste no índice de confiança foi feito, principalmente, com relação às expectativas para a economia brasileira e não com relação às empresas. Mas todo esse movimento, segundo ele, reflete ainda a acomodação da euforia do início do ano. Castelo Branco disse que o índice pode refletir algum temor com relação a alta dos juros, mas que essa tendência precisa ser confirmada na pesquisa do próximo mês.

Compulsórios

A decisão do Banco Central de aumentar os recolhimentos compulsórios dos bancos, retirando assim do mercado cerca de R$ 70 bilhões, causou "certa surpresa" a Castelo Branco. Segundo ele, as medidas que flexibilizaram o recolhimento compulsório, em razão da crise financeira internacional, seriam naturalmente extintas no final de março, se não fossem prorrogadas. No entanto, na avaliação do economista, os "nossos compulsórios são muito elevados, causam problemas e distorções". "É necessário que o nível de compulsório seja adequado aos padrões internacionais", disse.

Para Castelo Branco, a medida anunciada ontem à noite talvez seja um indicativo de que o Banco Central está vendo uma expansão do crédito e esteja se antecipando. Questionado se a alta dos compulsórios poderia postergar um possível aumento da taxa básica de juros (Selic), o economista da CNI lembrou que, apesar do compulsório ser um dos componentes da política monetária, no Brasil, ela tem sido mais calibrada pelo movimento da taxa básica de juros.

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