CNI: indústria vai superar crise apenas em 2010

O economista-chefe da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Flávio Castelo Branco, afirmou hoje que a queda nas exportações e a retração dos investimentos impedirão um crescimento positivo da indústria brasileira em 2009. "Para a indústria, a superação da crise ainda está distante. Só nos primeiros meses de 2010 a indústria deve voltar a produzir nos níveis de antes da crise", disse.

RENATA VERÍSSIMO, Agencia Estado

30 de setembro de 2009 | 13h23

Castelo Branco informou que um dos indicadores de que a retomada dos investimentos na economia deve demorar é a retração na produção de bens de capital. Segundo ele, a retomada gradativa, a partir de amanhã, da cobrança do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) sobre automóveis, produtos da linha branca (fogões, geladeiras e lavadoras) e materiais de construção também causará um impacto negativo gradual na demanda. "Este fator vai diminuir o ritmo de crescimento nesses setores", afirmou o economista.

PIB

Apesar das dificuldades na indústria, a CNI espera uma alta do Produto Interno Bruto (PIB) no terceiro trimestre deste ano. A entidade projeta um crescimento da economia de 1,5% no terceiro trimestre em relação a igual período de 2008. Para o quarto trimestre, a entidade projeta uma alta de 4% na comparação com o último trimestre do ano passado.

Castelo Branco avaliou que o crescimento no terceiro e no quarto trimestres deste ano deve ser puxado pelo consumo interno. O economista disse acreditar que os investimentos devem ter alguma reação, mas ainda ficarão muito abaixo dos registrados de 2008. Na avaliação da CNI, a melhora nos últimos dois trimestres do ano ainda não será suficiente para garantir uma alta do PIB em 2009. A projeção para este ano é de estabilidade.

Em relação ao crescimento da indústria, Castelo Branco disse que a piora na projeção feita pela entidade - de queda de 3,5% para recuo de 4% em 2009 - deve-se ao fato de que a reação do setor no segundo trimestre deste ano não foi tão forte quanto se esperava. Na avaliação do economista, o setor da construção civil não registrou o desempenho esperado.

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