CNI: medidas são importantes para recuperar investimento

As medidas de redução do custo de financiamento para compra de máquinas e equipamentos (bens de capital), anunciadas hoje pelo governo federal, são "importantes e absolutamente necessárias". Essa é a avaliação do presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Armando Monteiro Neto. "O investimento caiu muito no Brasil depois do início da crise. Essas medidas de estímulo ao investimento são muito necessárias para recuperar um pouco a taxa de investimento da economia", disse, segundo nota divulgada pela assessoria de imprensa da CNI.

SANDRA MANFRINI, Agencia Estado

29 de junho de 2009 | 18h12

A avaliação de Monteiro Neto é de que o investimento produtivo poderá sentir, ainda neste ano, os reflexos dos incentivos anunciados hoje. O presidente da CNI lembrou que a Formação Bruta da Capital Fixo, que mede o investimento produtivo no País, caiu 12,6% no primeiro trimestre deste ano em comparação ao mesmo período do ano passado, depois de ter crescido a um ritmo de 20% ao ano. "É fundamental reverter essa queda porque o investimento de hoje é a produção e o emprego de amanhã", avaliou, segundo a nota da CNI.

Apesar de considerar importantes as medidas adotadas, Monteiro Neto destacou que uma das decisões esperadas pelos empresários não foi contemplada pelo pacote anunciado hoje. "Aquela que permite compensar o PIS/Cofins pago na aquisição desses bens num prazo mais curto não saiu. Hoje a compensação é em 12 meses e esperava-se que ficasse em seis meses ou até de maneira imediata. Isso sem dúvida nenhuma frustra a expectativa da CNI e do setor de máquinas e equipamentos", destacou.

Fiesp

O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, considerou positivas as medidas contra a crise, como a prorrogação da isenção do IPI para veículos novos até setembro. Skaf ressaltou que a desoneração de 70 itens de bens de capitais incentiva a produção, faz a economia crescer e "é bom para todos os brasileiros". O presidente da entidade observou também que as medidas anunciadas pelo governo federal são reivindicações antigas da classe industrial.

"A manutenção e ampliação das medidas de combate à crise somam-se ao esforço que os empresários brasileiros têm feito, desde setembro do ano passado, para que a nossa indústria continue investindo na produção." Contudo, o presidente da Fiesp lembrou que as medidas só serão positivas desde que haja continuidade da "política governamental de redução de juros reais". Segundo o presidente da Fiesp, "o crédito mais fácil e mais barato precisava ser uma realidade". Quanto à redução da Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) de 6,25% para 6% ao ano, ele considera "uma outra boa notícia, pois isso deve baratear as linhas de crédito do BNDES às empresas".

Infraestrutura

A Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib) avaliou que as medidas devem estimular a produção e os investimentos ao reduzir o custo do crédito. "Além de manter a desoneração para setores ou produtos importantes, o governo diminuiu o custo de capital para novos investimentos de infraestrutura e indústrias de base", diz nota divulgada pela entidade.

Para Paulo Godoy, presidente da Abdib, o governo federal procurou adequar as linhas de crédito de longo prazo ao novo patamar de juros básicos da economia. A redução da TJLP para 6% ao ano diminui o custo final ao investidor e, consequentemente, aos consumidores finais. "São sugestões que temos discutido com as autoridades governamentais nas reuniões de acompanhamento da crise - o que mostra que a interação está sendo proveitosa", diz o presidente da Abdib.

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