Dida Sampaio/Estadão - 29/11/2018
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CNI pede que governo suspenda negociação de acordo com Coreia do Sul

Entidade do setor industrial teme que os termos do acordo prejudiquem produtores brasileiros e ampliem o déficit comercial com o país asiático

Lorenna Rodrigues, O Estado de S.Paulo

28 de abril de 2020 | 10h46

BRASÍLIA - A Confederação Nacional da Indústria (CNI) pediu ao governo brasileiro que suspenda as negociações de acordo comercial entre o Mercosul e a Coreia do Sul. A entidade teme que os termos atualmente na mesa prejudiquem os produtores brasileiros e ampliem em US$ 7 bilhões o déficit comercial com o país asiático.

O pedido foi encaminhado no fim da semana passada, antes de a Argentina anunciar, na sexta-feira, que se retiraria de todos os acordos em negociação do bloco, à exceção dos já fechados com a União Europeia e a Associação Europeia de Livre-Comércio (EFTA, na sigla em inglês).

A avaliação da CNI, porém, é que a saída do país vizinho das negociações deixa o Brasil ainda mais exposto à "invasão" de produtos sul-coreanos que poderá ocorrer, se os termos em negociação atualmente forem mantidos. No ano passado, o saldo da balança comercial entre os dois países foi negativo em US$ 1,256 bilhão.

Segundo a confederação, o acordo que vem sendo negociado com a Coreia do Sul garante o livre comércio para 90% dos produtos importados e exportados para o Mercosul. A CNI reclama que compromissos firmados pelos sul-coreanos com países como China, Índia e Turquia mantêm tarifas para 20% da pauta de comércio com períodos de carência e margens de preferência que não são contemplados na negociação com o bloco sul-americano.

"Temos informações de que a negociação [com o Mercosul] está avançada, contudo, o setor privado não foi informado sobre as concessões feitas pelos governos. Além disso, não parece haver dispositivos para tratar de produtos sensíveis", afirma o presidente da CNI, Robson Andrade.

Os industriais brasileiros estão preocupados com uma perda ainda maior de competitividade dos produtos nacionais com a pandemia do coronavírus. Segundo o Estadão/Broadcast apurou, em reunião com o ministro da Economia, Paulo Guedes, na semana passada, representantes de associações demonstraram preocupação, principalmente com produtos chineses.

"Os setores industriais, que devem ter um papel relevante na retomada da economia e na geração de empregos nos níveis nacional e regional, sofrerão impactos graves sobretudo no cenário pós-pandemia da covid-19", afirma Robson Andrade.

Na carta enviada ao governo, a CNI pede que os acordos negociados considerem a pandemia e que sejam "mais equilibrados" para gerar impactos positivos na produção do país.

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